
Lara Tironi na Bienal do Livro de São Paulo: “Fazer parte desse movimento pela literatura como autora é um grande privilégio”
Em entrevista à revista O Odisseu, Lara Tironi fala da sua expectativa em participar pela primeira vez da Bienal do Livro de São Paulo.
Fotos: Divulgação.
Lara Tironi chega em São Paulo no superlativo. Autora de Vapor de dendê não tem cor (Patuá, 2026), a escritora baiana chega à sua primeira Bienal Internacional do Livro de São Paulo com o seu romance de estreia, um dos lançamentos mais festejados da Patuá no ano. Em turnê de lançamento e presente em feiras e eventos espalhados pelo Brasil, a autora conta em entrevista sobre as suas expectativas para a Bienal e os primeiros meses de jornada.
Além de presença certa no stand da Patuá (K45) no último final de semana de Bienal, Lara autografará o seu romance entre 16h e 17h no sábado, 12/09.

Lara Tironi: “Para mim, o grande desafio como autora independente é fazer o livro circular.”
Breno: A Bienal do Livro de São Paulo é um dos maiores eventos literários do país. Qual é a expectativa da participação pela primeira vez como autora?
Lara: A Bienal, com seus números astronômicos, chega a assustar. Fazer parte desse movimento pela literatura como autora é um grande privilégio. As expectativas são altíssimas, e vêm com uma carga de ansiedade enorme, tudo no superlativo.
Breno: Acompanho a sua trajetória e você é participativa tanto nas redes sociais quanto em feiras e eventos diversos. Como tem sido a experiência nesses eventos literários como autora estreante?
Lara: A dor e a delícia de ser autora estreante. A experiência é eletrizante, expor-se, mostrar o trabalho que ficou recluso por tanto tempo, só seu. É, ao mesmo tempo, extenuante, é uma carga mental grande. Quando o evento acaba, sinto que um caminhão passou por cima do meu corpo e resta apenas um fiapo de Lara grudado no asfalto imaginário. Ainda assim, é de uma satisfação que nunca senti em nada que fiz profissionalmente. São sentimentos que parecem ambíguos, mas que andam de mãos dadas sem nunca se soltar.
Breno: E como tem sido a recepção do seu livro nesses eventos junto aos leitores e organizadores?
Lara: Tenho tido excelentes retornos sobre o livro. Primeiro, o título chama muito a atenção. Vapor de dendê não tem cor. Algo que não faz sentido – e que realmente só é compreendido no contexto da história – mas que carrega um misticismo, uma névoa, e – como não poderia deixar de ser – a Bahia. Depois, a capa, que tem sido bastante elogiada e que vejo estar chamando a atenção. Não uma nem duas vezes fui abordada por frequentadores das feiras querendo saber onde comprei o livro, mal sabendo eles que eu era a autora. Além disso, escritores que, muito gentilmente, receberam o livro das minhas mãos me sinalizaram já terem se deparado com ele antes. Quanto aos leitores, tenho encontrado pelo caminho pessoas que já leram e gostaram tanto do livro que querem meu autógrafo em seus exemplares. Estar na presença dessas pessoas que, além de me derem seu tempo por meio da leitura, me dão também seu tempo por meio desse carinho, é muito gratificante.
Breno: Quais são, até o momento, os maiores desafios como autora independente? E as grandes alegrias?
Lara: Para mim, o grande desafio como autora independente é fazer o livro circular. É um trabalho de formiguinha. E feiras como a Bienal proporcionam algo incrível: ter reunidos no mesmo lugar autores, livreiros, colunistas, formadores de opinião, todos respirando os livros num só lugar. Daí vem a grande alegria de publicar um livro: vê-lo ganhar vida própria e chegar aos leitores. Além disso, perceber como o mesmo livro chega em cada leitor de uma maneira diferente. A minha parte preferida nesse processo todo é ouvir os depoimentos das pessoas sobre o livro, saber como ele tocou cada uma daquelas pessoas (e de maneiras tão diversas).
Breno: Quais são as autoras e autores desta Bienal que te inspiram a escrever e a seguir na Literatura?
Lara: A programação da Bienal deste ano está maravilhosa. Pergunta difícil essa! Meus conterrâneos Itamar Vieira Júnior e Bethânia Pires Amaro são dois que me inspiram muito e que estarão lá falando de suas trajetórias. Além deles, não posso deixar de citar Eliana Alves Cruz, Natália Timerman, Mariana Salomão Carrara, Jeferson Tenório, Carla Madeira, Giovana Madalosso, Andrea Del Fuego. A lista é extensa e meramente ilustrativa.

