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O Odisseu v. 4, n. 26, dezembro de 2025: A rua é um chamado

Já no lado de cá, nos trópicos, a rua é quase sempre sinônimo de subversão. A rua sempre foi o lar dos vagabundos, das putas, dos sodomitas, aqueles que não pertenciam à norma moral pré-estabelecida. Não por acaso o mestiço João do Rio se interessou tanto pela vida urbana da capital nacional, à época o Rio de Janeiro, descobrindo os cultos aos orixás, a perversão sexual, a sujeira e a violência. Luís Antônio Simas diz que João do Rio observava todo o caos da rua com um assombro e excitação ao mesmo tempo. Queria fugir, mas também queria ver. O hipnotizava. Como a primeira vez que fui ao carnaval à noite. Subindo da praça Castro Alves pela Rua Chile em direção ao Pelourinho altas horas da madrugada. O som da música ainda vibrando no corpo, a miséria humana apresentada nos catadores de latinha, nos bêbados caindo e vomitando, nos beijos e no sexo explícito a quem quisesse ver. 

Trecho do editorial de Ewerton Ulysses Cardoso.

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