Conhecer a poesia de Guilherme de Queiroz foi uma feliz surpresa. Passeei um pouco pelo primeiro livro, “Esta leitura é gratuita” (Patuá, 2024), antes desta entrevista, embora aqui o objetivo seja falar principalmente do segundo, “Dez mil cavalos correndo na rua” (7letras). Já no primeiro livro, era possível perceber que o autor é, antes de tudo, um leitor. Suas referências de leitura transbordam nos versos enquanto ele elabora brincadeiras deliciosas com a linguagem e provocando imagens interessantes. Em pré-venda neste momento, “Dez mil cavalos correndo na rua”, entretanto, mostra uma evolução do autor, um refinamento no uso da linguagem, maior consciência daquilo que está fazendo e também melhor manejo dos temas. A imagem que dá título ao livro, dos dez mil cavalos correndo no asfalto, consegue capturar aquilo que ele tentou (e, felizmente, conseguiu) fazer neste novo livro: uma escrita que se movimenta com força brutal, mas também fluida, e que ilustra a força da natureza dobrando aquilo que é inorgânico.
Nesta conversa exclusiva do site da revista O Odisseu, Guilherme de Queiroz explica como surge a imagem dos “dez mil cavalos” e como ela serve de guia para uma escrita pautada na liberdade voraz. Falou também sobre como seu novo livro dialoga com os elementos da natureza, suas expectativas quanto a essa nova etapa da sua vida poética, além de suas principais referências na poesia brasileira contemporânea. Confira!

“Fazer poesia é uma forma de se comunicar. Há uma pretensão de alcançar o outro com algo de si, ainda que seja apenas uma pontual observação de mundo, uma sensação”, conta Guilherme de Queiroz
Você abre o livro com uma memória de Marc Levy, autor que disse a frase que dá “origem à manada”, isto é: “Se você quiser escrever uma história sobre dez mil cavalos correndo na rua, você pode. Não há restrições.” Me conta como esta frase te impactou e como ela se reflete no livro.
Ela me marcou desde o dia em que eu a li, em 2011, pois me senti acolhido e representado. Eu era um jovem escritor cursando Direito e ainda não tinha um horizonte profissional certo a seguir. Tinha dúvidas sobre minha escolha de carreira e ainda estava me descobrindo entre as palavras e as filosofias, inquieto com o hermetismo obrigatório das “normas cultas” e o limitado alcance das teorias jurídicas. Todos os caminhos pareciam ter poucas possibilidades, seguir o mesmo “passo-a-passo” engessado.
Talvez por isso me sentia muito atraído pela ideia de liberdade, especialmente na escrita. Apenas para ilustrar, eu mantinha um blog desde a adolescência, que tinha como epígrafe: “Sobre a escrita: Antes de tudo, deve ser livre. Para provar, basta uma linha.” Embora a própria escrita fosse tratada como um hobby pessoal (pois minha produção sem qualquer instrução específica estava muito distante de qualquer boa literatura), ao me deparar com um renomado escritor defendendo a mesma premissa que eu acreditava – da liberdade na escrita – eu me encantei e me senti encorajado a seguir. Encorpei a crença de que o papel poderia receber tudo o que eu imaginasse.
No mesmo dia, saudável inquietação me tomou e eu escrevi uma crônica chamada “dez mil cavalos correndo na rua” (https://caleidoscopiodobudiroga.blogspot.com/2011/09/dez-mil-cavalos-correndo-na-rua.html). Foi o embrião do livro. Ou seja, voltando ao impacto da frase: a imagem da manada não traz apenas liberdade, mas força, perseverança, coragem… Era disso que precisava para seguir na escrita, da confiança para realizar o próprio movimento, deixando a imaginação atuar, sem amarras ou cobranças, apenas escrevendo sempre que possível o que quisesse. Essa frase (e a crônica que escrevi depois) ajudou a abrir caminho para um certo acalento no peito em relação ao papel da escrita na minha vida.
Desde então, a escrita me acompanhou silenciosamente por bastante tempo, com certa leveza acompanhada de uma necessidade de realização. Passei anos sem dar publicidade ao que produzia e o tempo também fez com que eu deixasse de lado um pouco a prosa e me aproximasse da poesia. Depois do lançamento do meu primeiro livro, olhei para a trajetória até então e resolvi me debruçar sobre o que sempre me atraiu na escrita: a liberdade. Voltei à crônica de 2011, mas senti a necessidade de fazer os cavalos galoparem em poesia.
A partir daí, nasceu o último poema do livro homônimo, e a proposição interna de elaborar um livro de poemas que tangenciasse a pujança da liberdade nas mais diversas facetas, trazendo para a coisa concreta dos escritos um lugar onírico (onde tudo se pode realizar livremente). A partir de então, escrevi poemas sobre cavalos e reuni outros poemas já escritos que integraram um mosaico de imagens que traziam a intensidade figurativa não apenas dos cavalos galopando, mas das forças naturais que nos governam para além das letras e das nossas crenças determinantes e limitantes. Acho que os cavalos trazem a força e a imprevisibilidade da natureza enquanto, ao mesmo tempo, eles atravessam a dureza do asfalto que nós, humanos, também precisamos percorrer pelos caminhos que escolhemos.
A imagem do cavalo correndo é uma constante no livro, o que abre espaço para muitas leituras sobre essa imagem. Quais significados você aponta para essa figura em seu livro?
Como citado anteriormente, a premissa é a ideia de liberdade, algo natural, inerente à existência, e que se distancia de amarras impostas pelo nosso contrato social. Vale dizer que gosto dessa dualidade: de um lado, a fluidez dos cavalos correndo, do outro, a rua, estática, sólida. Ainda que sejamos levados pela irracionalidade animal, pelos desejos que fervilham para a autorrealização como seres que existem no mundo, há uma mitigação inevitável da amplitude dessas ideias pelas ruas que escolhemos seguir. Há um liame filosófico existencial nessa dicotomia: paixão e razão, liberdade de escolha e limites escolhidos, selvagem e urbano. Como cavalos correndo na rua (imagem que não é exatamente congruente, porque no imaginário eles estariam em um pasto ou algum outro lugar da natureza), vivemos nesse lugar limítrofe entre dar vazão ao que é (ou deveria ser) natural, e os limites que aceitamos por viver em sociedade.
Além disso, há uma estética de beleza inerente à criatura, que conversa com a intensidade da poesia. Apesar de uma delicadeza preponderante nos traços do corpo do animal, suas pernas são como pistões, há uma física de potência na forma com a qual se deslocam. Uma fotografia mental da imagem, por si, traz certa energia que transborda, ultrapassa-a e se torna símbolo de algo maior, algo que se espalha, que provoca sensações. A minha intenção é trazer logo no título essa intensidade vívida ao leitor, instigá-lo às sensações que os poemas trarão, sem cercear suas interpretações a um ou outro determinado espectro de compreensão. A ideia é que, embora pavimentado pela “rua” do leitor, o livro seja lido à flor da pele.
Outra imagem que aparece no livro é a imagem da infância, que se relaciona com memória e com a nostalgia. Qual a importância da infância para a sua poesia?
De fato, trago com alguma regularidade poemas de infância. Acho que exatamente porque as crianças são, em tese, mais livres. Elas ainda estão sendo educadas aos limites sociais, às caixinhas do certo e errado da nossa ética. Talvez por isso, ainda pensam fora da caixa. Atuam, em grande parte, como pequenos animais dando vazão a seus ímpetos. Gosto desse material poético. Esse lugar de memória é fértil e tira a tensão dos extremos da dualidade que havia comentado. Há uma certa aceitação coletiva sobre o modus operandi das crianças, que é carregado de criatividade, exatamente porque ainda estão sem os rótulos e as bordas que a vida adulta impõe. Entendo que o poeta precisa ter contato com essa curiosidade infantil para fazer seu ofício, ainda que toque em temas “adultos”. Ao olhar para o nada e materializá-lo em palavras, estamos brincando com as nossas próprias ferramentas mentais, com nosso cérebro, nosso coração, nosso corpo. Sob a mesma lógica, creio que um exercício importante para qualquer poeta seja procurar seus vestígios de criança (como fala Mário Quintana).
A presença da infância como memória e nostalgia pode levar o leitor para uma interpretação autobiográfica do livro. Há algo de explicitamente autobiográfico na obra?
Estou com uma filha de 2 anos e amo a paternidade, que é um sonho realizado para mim. Portanto, diariamente, testemunho seu deslumbramento com o mundo, e me deslumbro de tabela. O que vivo, de uma forma ou de outra, alcança a minha poesia.
Não creio que haja algo explicitamente autobiográfico, talvez apenas um poema. “sobre cavalo baio” é para minha filha, Beatriz Rocha. Ele é inspirado em uma conversa que tive com meus pais já prestes a fechar o livro, quando eles me contaram histórias (até então inéditas para mim) de cavalgadas que faziam quando tinham seus vinte e poucos anos, o que encheu meu coração. Eles me mostraram suas fotos antigas montados em cavalos e eu as mostrei para a minha filha. Fiz um poema a partir disso.
Aliás, te incomodaria fazer uma poesia autobiográfica ou ser lido dentro de uma chave de autoficção?
Creio que não. Embora tenha apreço por manter a minha privacidade, entendo que a produção poética nos atravessa e não é possível fazer poesia sem percebê-la a partir do corpo. Sinto, nomeio, brinco de capturar poesias por aí e encapsulá-las em signos que possam ser lidos. Ainda que possa estar afastado de alguma ideia que permeia um poema, a própria escolha de publicá-lo já é um posicionamento pessoal, já é, em alguma medida, biográfico. Dentre as inúmeras acepções, fazer poesia é uma forma de se comunicar, na minha opinião. Há uma pretensão de alcançar o outro com algo de si, ainda que seja apenas uma pontual observação de mundo, uma sensação.
Além disso, como esbocei anteriormente, depois que o livro é publicado, a leitura não cabe em uma ou outra interpretação apenas. Cada leitor traz a sua própria história e é com ela que lerá o poema. O poema atravessará o leitor e será por ele compreendido (ou incompreendido) da sua forma particular. Se o leitor projetar em mim uma imagem sobre algo que leu no “dez mil cavalos correndo na rua”, isso certamente dirá mais sobre ele do que sobre a minha pessoa.
“Somos governados por algo insondável anterior à linguagem, mas nos sustentamos através dela”
Há também, no livro, o intenso diálogo com a natureza ou os elementos essenciais da natureza: água, fogo, ar, terra. Como esses elementos reverberam em seu texto como linguagem.
Não foi algo exatamente programado inicialmente. Após a primeira leitura crítica dos “dez mil cavalos correndo na rua”, minha amiga poeta Priscila Santarém foi muito perspicaz ao notar como vários poemas traziam uma considerável densidade mitológica e me ajudou a construir um fio condutor entre os elementos da natureza que ampliou o conteúdo poético do texto. A divisão das partes do livro propõe exatamente a diversidade inerente a cada um desses elementos, como eles nos atravessam e como podemos seguir nesse mundo harmonizando essas forças que nos movem.
Somos governados por algo insondável anterior à linguagem, mas nos sustentamos através dela. Por meio da linguagem construímos as primeiras premissas da física e da filosofia, que traziam reflexões sobre tais elementos essenciais da natureza como nossos vetores de existência. Em contraponto, os animais, movidos apenas pelo inconsciente, sem linguagem escrita, parecem agir de forma mais consonante com o meio onde habitam, em contato mais próximo e coerente com os tais nomeados “elementos da natureza” que nós, que os percebemos menos na pele e mais de forma simbólica, elaborada cognitivamente (e por vezes rasa… águas das emoções, ventos da imaginação, terra da concretude, fogo das paixões, etc).
A ciência e a religião se erigiram lado a lado como baluartes de todas as explicações que precisamos. No entanto, tenho a impressão que o fim não justifica os meios e nos perdemos no discurso, na defesa dos significados descobertos ou criados. Em nome da fé se mata. Os desdobramentos científicos atropelam o meio ambiente por ganância, e cada vez mais o que é humano se perde degradado por interesses institucionalizados de valores questionáveis.
No “dez mil cavalos correndo na rua” há uma tentativa de sublimar esse nosso desencaminhar semântico coletivo ao revisitar os polos que nos norteiam, nossas motivações mais intrínsecas, por meio das sensações provocadas pelas imagens apresentadas em poesia. Proponho, como bem pontuado pela própria Priscila no posfácio, uma travessia ao que nos é inconsciente através de uma linguagem poética moldada na força dos elementos simbólicos da natureza.
Há uma epígrafe com alguns versos de Ana Estaregui em seu livro, um poeta contemporânea que conseguimos relacionar esteticamente com a sua produção. Quais outros poetas contemporâneos estão em diálogo com a sua produção?
A poesia da Ana é encantadora e me comove. A autora já contou em entrevistas sobre a sua relação com a espiritualidade e formas de alteração da consciência relacionadas ao xamanismo, o que mudou sua forma de ver o mundo e se materializa na sua escrita com um aparente surrealismo, que me atrai bastante e acho que encontra um ressoar nos “dez mil cavalos correndo na rua”…
Nesse sentido, recordo uma fala de Alan Moore que sugere que a escrita estaria originalmente atrelada ao próprio despertar da consciência (como a nomeamos) porque embora pudéssemos ter, nos primórdios, algum tipo de percepção do que nos rodeava, somente através da escrita passamos a reter essas informações e poder passá-las adiante. A habilidade de escrever e manter o conhecimento em registro traria supostas aptidões sobrenaturais aos olhos de quem não as detivessem. Gosto dessa relação com o desconhecido.
Sou bastante influenciado por essa ideia na poesia, que busca colocar luz sobre os mistérios sem, necessariamente, encontrar o fim do túnel. Se palavras são signos que materializam incontáveis possibilidades de significados, fazer poesia também é manipular esse material para aproximá-lo da experiência subjetiva que lhe deu origem. Gosto do perfume que o poema traz e da percepção do cheiro ele provoca.
Por isso, sou atraído por autores que esticam bastante essa corda da abstração e quase provocam sinestesia através dos seus escritos. Posso citar Adriana Lisboa, que também traz estupendas investigações filosóficas alcançando o intocável das sensações que nos permeiam. Ana Maria Vasconcelos e Nadja Rodrigues também são poetas que conversam com essa temática e me encantam também pelas mitologias que tateiam.
Não posso deixar de citar Lilian Sais, que é um expoente da nossa poesia contemporânea e trata de temas intrinsecamente humanos, com uma delicadeza incomparável. Apesar de encantado pelos mistérios, a realidade crua do luto, por exemplo, também me assombra e dou atenção ao tema na minha obra, aprendendo com a poeta. Além disso, sou fã da estética fragmentária que ela propõe em seus escritos também por conta da minha atração pela liberdade na escrita, já que ela se afasta do enquadramento obrigatório do formato temático do texto – prosa, poesia, crônica, ensaio, nada mais são que rótulos onde, na verdade, não cabem os escritos os quais se propõem a enquadrar.
Luiza Mussnich e Thaís Campolina, por sua vez, trazem a poesia mais para o nosso mundo cotidiano, e conversam com sentimentos da nossa vida moderna, cotidiano este que me conecta muito também, onde me sinto inserido. A linguagem das poetas é próxima, por vezes corriqueira, mas também gatuna por nos puxar um sorriso de lado de boca quase passando despercebido. Temo, por vezes, me perder nas abstrações, por isso, a leitura dessas poetas me traz o pé no chão.
Não posso deixar de ressaltar Sarah Munck, pela capacidade intuitiva e pela sensibilidade feminina que nos atravessa por aforismos inéditos e, portanto, indica a relevância da concisão da poesia. Admiro Fagner Mera, que é um grande comunicador de emoções na poesia, capaz de traduzir o coração e alcançar de modo inigualável um grande público, o que só demonstra sua competência de, gentilmente, falar sobre o que todos nós experimentamos.
Por fim, cito Clarisse Zarvos, com um dos mais singulares livros que já li, por sua única poética em prosa, e Maurício Rosa, pela potência e violência dos sentimentos que ele consegue, tão sutilmente, colocar no papel.
Este é o seu segundo livro de poesias. O que você acha que mudou do primeiro livro para o segundo em termos estéticos, mas também em temas e afins.
Para início de conversa, creio que reduzi um pouco as aliterações e o vício com rimas. Ao longo dos dois últimos anos desde o lançamento do primeiro livro até hoje, aprofundei e diversifiquei minhas leituras de poesias, li autores independentes e consagrados, estudei e exercitei a escrita poética como nunca antes na minha vida. Revisitei e reconheci, pois, gostos e desgostos na escrita. Acho que no primeiro livro me entreguei às brincadeiras dos trava-línguas com mais frequência. Agora, no novo livro, busquei outras formas mais sutis de ritmar os poemas, sem perder um quê de oralidade, mas deixando a musicalidade menos explícita.
Além disso, no primeiro livro, penso que experimentei muitas formas diferentes de escrever poemas, sem aderir a uma estética própria. Já no “dez mil cavalos correndo na rua”, creio que isso tenha mudado um pouco. Passei a adotar um mesmo referencial, por exemplo, de letras minúsculas em todos os poemas, buscando dar um tratamento isonômico às palavras, afastando-me da norma culta de iniciar versos com maiúsculas, deixando-as exclusivamente para os nomes próprios para diferenciá-los, dar a sensação ao leitor que todas as outras palavras formam um mesmo tecido, enquanto só as nomeadas com vocativo chamariam atenção exatamente pelo rótulo, por alguma pessoalidade nominal.
Outro ponto de novidade neste novo livro foi a elaboração de poemas concretos, o que ainda era experimental no primeiro livro e ganhou um pouco mais de substância no livro dos cavalos. O espaçamento passa a ter um significado estrutural, já que o poema é um objeto de arte por si só, que existe no espaço. Ao ver a mancha visual provocada por certos poemas, como cumulunimbus é possível ver uma gota ao contrário e isso gera um impacto, ainda que subliminar, ao leitor. Integra a poesia que se transmite. Procuro dar espaços entre versos para dar ar ao leitor, com a pausa necessária para assentar determinada ideia, fôlego para seguir. Brinco com cavalo manco do xadrez, que faz o movimento do tabuleiro na própria página, e por aí vai.
No que diz respeito à temática, como já mencionado, o livro novo se aventa a percorrer locais menos conscientes e que transitam entre os nossos mitos e sensações mais primitivas que temos a partir do contato com a natureza (inclusive com a nossa natureza humana, animal), embora seja inevitável o convívio social no mundo crente, globalizado e tecnológico de hoje.
Enquanto o primeiro livro é conduzido pela trajetória individual de um eu-lírico dando os primeiros passos desde o nascimento, com certo amadurecimento na vida adulta e enfrentamento da morte, com suas questões existenciais e filosóficas, “dez mil cavalos correndo na rua” sai do individual e vai em direção ao coletivo. Embora comece sozinho navegando nas águas turbulentas de um náufrago, este chega à terra firme e percebe a nossa sociedade dura, com crenças e pedestais em crise, onde se ele próprio se nota e se espalha em reflexões maiores. É nesse encontro entre o inconsciente pessoal e o coletivo que se orienta a base estética do livro, conciliando a despersonalização do indivíduo em grupo com a necessidade de fazer parte de um todo e galopar por terras de fogo e ar.

A conversa continua
Toda leitura é uma viagem. Compartilhe suas impressões, lance suas ideias ao mar e descubra outros horizontes de interpretação.
O mar ainda está em silêncio. Que tal ser a primeira pessoa a lançar uma ideia à água?