Reportagem

Carolina Maria de Jesus: nascente sacramentada

Uma visita ao Arquivo Carolina Maria de Jesus em Sacramento, Minas Gerais, cidade em que nasceu. Leia trecho exclusivo da matéria que está no n30 da revista O Odisseu.

Matéria em parceria de Bruno Sousa e Daniel Assaf Salmazzi.

Fotos: Marcio Ketner Sguassábia.


O acervo literário da escritora mineira Carolina Maria de Jesus é assunto que permeou debates e reportagens na última década. Ao menos quatro veículos de informação  levantaram a discussão sobre a precariedade do estado de conservação de parte dos 37 cadernos manuscritos doados por Vera Eunice de Jesus Lima, filha mais nova da escritora, ao Arquivo Público Municipal Cônego Hermógenes Casimiro de Araújo Brunswich, da cidade de Sacramento, em Minas Gerais, no ano de 1999. 

Acervo Carolina Maria de Jesus em Sacramento (MG)/ Foto de Márcio Ketner Sguassábia.

As matérias alegaram uma negligência por parte do município, terra natal de Maria de Jesus, quanto à preservação dos documentos originais, e informam sobre a falta de preparo técnico para a manutenção desse acervo, bem como para o restauro do material já danificado. 

É sabido que a Prefeitura de Sacramento buscou parcerias com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com o Instituto Moreira Salles (IMS) como forma de adequar-se às pendências de conservação do acervo. Este ano, a UFMG divulgou o projeto “Carolina Maria de Jesus: um arquivo para o futuro”, em parceria com o Ministério da Cultura. Segundo publicação em perfil da Prefeitura de Sacramento, o projeto “prevê uma restauração completa dos cadernos, além de uma exposição e um simpósio dedicados à obra da escritora”. Movidos pelo interesse de verificar a atual situação desses materiais, realizamos, no dia 30 de julho, uma visita ao Arquivo Público Municipal.

Mediante agendamento prévio, fomos recebidos por Vanessa Cristina Garcia, historiadora e representante do setor de Patrimônio. Vanessa nos conduziu à sala “Esperança Gobbo e Silva”, nomeada em homenagem à educadora sacramentana. No local, se encontram não somente o acervo de Carolina (em grande parte, ainda inédito) como também outros documentos históricos da cidade, entre atas de reuniões municipais e coleções encadernadas do jornal local.

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