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Reportagem

A saga literária na palma da mão: Sagarana aposta na comunidade para reinventar a conversa sobre livros

Em apresentação exclusiva à Revista O Odisseu, a nova plataforma social dedicada à literatura, lançada em setembro para todos os sistemas operacionais, busca reunir leitores, autores e criadores de conteúdo ao integrar experiências imersivas…

Logotipo do app sagarana.
Logotipo do app sagarana.

Batizado em homenagem a uma das obras fundamentais do cânone nacional, o aplicativo Sagarana, nova rede social desenvolvida no Brasil com foco na Literatura, busca dar voz às histórias da comunidade literária em uma única plataforma. Desenvolvido por Sophia Ganeff, vencedora do Prêmio LOBA 2025 e apontada como a mais jovem finalista da história do Prêmio Jabuti, e Ícaro Leite, executivo do mercado financeiro e professor do IBMEC São Paulo, a rede busca oferecer uma experiência mais completa do que as oferecidas atualmente, dispersas em inúmeros aplicativos. 

Sophia Ganeff: “Percebemos que a literatura já vive na conversa das pessoas, mas essa conversa ainda está espalhada por vários lugares. O Sagarana nasce para organizar esse movimento em um espaço feito para quem lê, para quem escreve e para quem indica livros”.

Sophia Ganeff, escritora e criadora do app Sagarana.

No Sagarana, o usuário poderá registrar leituras, avaliar livros, comentar, seguir autores, acompanhar curadorias e compartilhar a própria experiência de leitura. A plataforma também pretende dar espaço para criadores de conteúdo literário e para discussões que nascem da própria comunidade, com a ambição de transformar o que é vivido dentro do app em matéria de conversa fora dele. 

Ao longo da apresentação, por exemplo, foi possível acompanhar o feed de notícias do aplicativo, com usuários trocando resenhas, impressões, fotos e debates sobre suas leituras, em um espaço similar ao que ocorre entre o microblog do Threads e X (antigo Twitter), o Instagram e o Substack. “A gente quer uma coisa real”, comentou Sophia ao destacar a interação entre os usuários de forma orgânica e cortês. Perguntada sobre eventual moderação do conteúdo publicado pelos usuários, em especial envolvendo ofensas ou temas sexuais, a escritora foi enfática: eles serão removidos. “A rede é inteiramente family friendly”, e indicou que o aplicativo é voltado para público +16 e os termos de uso são cristalinos acerca da proibição de ofensas, temas sexuais explícitos e publicações que fogem da temática da literatura. 

A respeito dos livros cadastrados, já existiam mais de 120 mil obras disponíveis para registro dos leitores, com sistema aberto para cadastro dos próprios usuários e atualizações com base em uma plataforma inteligente e integrada a bancos de dados e das próprias editoras. Para quem é usuário do Goodreads, é possível exportar as informações de forma integral, enquanto as demais redes ainda apresentam pendências técnicas e com a Lei Geral de Proteção de Dados.

Ao clicar em um livro, e houve a genuína felicidade ao encontrar o meu próprio romance (Pilares, Patuá) já com cadastro ativo, consta link de compra e a possibilidade de escrever resenhas, registrar progresso de leitura e avaliações, entre outras formas de interação. Também se destaca a possibilidade de manutenção de comunidades virtuais, muitas voltadas aos clubes literários e ao acompanhamento coletivo de leituras, incluindo calendário de encontros, autores e gêneros abordados. Pode se considerar uma versão literária e superior às antigas comunidades do Orkut, cuja referência entrega a idade do repórter. 

No momento da apresentação, a plataforma constava com 568 usuários, mas os planos são ousados. Obter dez mil usuários é uma meta no futuro breve, e há projetos em curso que envolvem todo o ecossistema do livro. Entre os mais concretos, estão a criação de uma plataforma de pagamento voltada ao universo do livro, semelhante ao desempenhado pelo Catarse, para subsidiar o desenvolvimento de novas obras e/ou projetos literários, a participação em mesas e debates nas feiras ao longo do ano, e o lançamento de premiações com base nos dados da plataforma. 

“A grande arte da literatura não acontece enquanto se lê, mas depois que se fecha o livro. A grande arte da literatura se dá no que fica, no que resta depois que o livro fecha, no que pulsa no fundo da alma do leitor depois do ponto final”. É o que defende o manifesto do Sagarana, pronto para antigos e novos leitores Brasil afora. 

O Sagarana está disponível para iOS e Android.

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