
“O livro, para a gente, não é uma mercadoria. É o resultado histórico de uma comunidade” – Entrevista com Rafael Limongelli, co-idealizador da FLIPEI
Rafael Limongelli fala sobre o percurso da Festa, iniciada em Paraty e hoje realizada em São Paulo, e tece críticas à Flip e à Feira do Livro realizada no bairro paulistano do Pacaembu.
Foto de capa: Tais Noaqui/ Reprodução
Em entrevista para O Odisseu, Rafael Limongelli, um dos idealizadores da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (FLIPEI), comentou os princípios que pautam a festa desde 2018, expôs as contradições da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e refletiu sobre o que significa defender uma política do livro hoje.
Em 8 de agosto, a FLIPEI publicou nas suas redes uma carta aberta ao público, em que relata o processo contra a gestão de Ricardo Nunes e a Fundação Theatro Municipal de São Paulo diante da interdição do evento na edição passada. Na carta, aponta-se que fazer cultura em São Paulo deixou de ser apenas ofício e tornou-se um exercício cotidiano de resistência.
No mesmo dia, um sábado de sol, realizou-se o 4º dia da Festa, no centro de São Paulo. A bordo do ônibus-livraria estacionado ao lado do Espaço Cultural Elza Soares, Rafael Limongelli explicou que a FLIPEI vem incomodando há bastante tempo e que espera do público não uma iluminação abstrata, mas sim sua participação ativa. Confira a entrevista na íntegra:
José Felipe: A FLIPEI nasce em 2018, um ano eleitoral, em um contexto muito específico de mudança radical na democracia brasileira. Como foi esse início da feira e como você vê as mudanças na trajetória da FLIPEI, considerando que esta 8ª edição ocorre também em um ano eleitoral e a questão da censura do evento?
Rafael Limongelli: Acho que, na FLIPEI, a gente tem uma perspectiva de construção de política para além do voto. A gente pensa que construir política é combater o fratricídio; o fratricídio que a esquerda no país vive, como um sintoma histórico, de avaliação de vários analistas do nosso campo da esquerda. A FLIPEI sempre se propôs a fazer um trabalho de frente ampla, e acho que isso tem a ver um tanto com essa geração mais recente da esquerda que nasceu e cresceu dentro dessas grandes crises das organizações, dos partidos, e dos movimentos sociais se fragmentando, se dividindo, se pulverizando, enquanto uma grande massa populacional foi ficando à margem.
Então, as quebradas, as periferias e a produção independente foram ficando marginalizadas em relação a esses palcos. A FLIPEI tenta buscar uma forma de criar uma frente onde a gente coloca para discutir o movimento quilombola junto com o movimento sem-terra; o pessoal das periferias junto com a centro-esquerda; o pessoal da eleição junto com os anarquistas, porque a nossa perspectiva é: se a gente não fizer uma frente ampla para poder combater o fascismo, o fascismo vai engolir a gente.
Em 2018, o que a gente já estava prevendo e observando era essa ascensão das ultradireitas ao redor do mundo. A gente vai ter a incorporação disso com o governo Bolsonaro, que vai acontecer logo na sequência. Se a gente observar, teve o Fora Temer, né? Eu lembro de uma mesa em que o Gregório Duvivier participou com o Glenn Greenwald. O Duvivier começa a mesa assim: “O Fora Temer que habita em mim saúda o Fora Temer que habita em você”. Então, a gente já estava prevendo esses movimentos e essa ascensão fascista ao redor do mundo. E pra combater o fascismo, a gente não pode estar dividido, né? A única revolução que conseguiu, de fato, defender-se do fascismo foi a Revolução Espanhola. E a Revolução Espanhola juntou os comunistas de Gorbachev conectados com a União Soviética, os socialistas não conectados com a União Soviética e os anarquistas, que são as três flechas que hoje em dia são o símbolo do antifascismo.
“A FLIPEI tenta buscar uma forma de criar uma frente onde a gente coloca para discutir o movimento quilombola junto com o movimento sem-terra; o pessoal das periferias junto com a centro-esquerda; o pessoal da eleição junto com os anarquistas, porque a nossa perspectiva é: se a gente não fizer uma frente ampla para poder combater o fascismo, o fascismo vai engolir a gente.” – Rafael Limongelli
[Eles] conseguiram de fato fazer uma resistência antifascista porque se juntaram. Então, a gente acha que tem que se juntar pra poder fazer a defesa do livro. É pensar políticas culturais para o livro, políticas públicas para o livro. Nos últimos anos, a gente tem crescido cada vez mais não só em relação ao público, à relevância, mas também em relação às respostas e às pontes que a gente faz com o poder público para poder criar políticas públicas para o setor do livro.
Tem uma figura interessante, a Lizandra [Magon], da Libre [Liga Brasileira de Editoras], que é uma organização de editores independentes. Ela estava presente na mesa hoje [“O futuro do livro no Brasil: democracia, periferia e bibliodiversidade”, 08 de agosto, 11h]. Tem uma frase em que ela disse que o livro tem que estar no centro da política. Porque o livro para a gente não é uma mercadoria. O livro para a gente é o resultado histórico de uma comunidade; é a cristalização de um bem comum. Ele é um lugar, um território de encontro. Então, quando eu, por exemplo, que nasci em Osasco, vejo um autor, também de Osasco, numa mesa debatendo temas que têm a ver com a minha infância, eu crio um reconhecimento; eu crio um lugar de encontro, e isso acontece com todo mundo, né? Quando a galera preta vem aqui assistir às palestras, existe um lugar de encontro. Então, o livro não é uma mercadoria, uma commodity. O livro é um lugar de encontro, de cristalização do bem comum, de construção comunitária. A gente vem tentando, nos últimos anos, pensar que a nossa ação em relação a transformações macropolíticas vem dessa frente ampla de defesa do livro.
JF: Uma coisa que me deixou muito curioso foi esse episódio do Glenn Greenwald. Eu ouvi em um podcast você contando como foi esse momento, essa operação em que tinha os bolsonaristas que estavam tentando impedir a fala do Glenn com os rojões. Como foi essa articulação para chegar ao barquinho para realizar o evento?
RL: O barquinho se chamava “A Hora da Aventura”, sabia? Foi engraçado porque o Glenn e o David estavam lá com os filhos deles. Infelizmente, o David já faleceu… [ele foi] uma pessoa muito importante na política. Eles estavam lá e você tem que entender que Paraty é como se fosse o ABC do Bolsonaro. Toda a Baía da Ilha Grande, de Angra dos Reis até Paraty, é a base eleitoral do bolsonarismo. São umas cidades completamente bolsonaristas. Lá o Bolsonaro venceu com quase 80% dos votos. Esses municípios são lugares de muito conservadorismo. Paraty é uma cidade turística, conservadora, com memória colonial; não à toa, a FLIP está lá, porque a perspectiva deles também é colonial; não à toa, essa cidade foi escolhida; não à toa, os povos tradicionais daquele território sofrem com a presença desses grandes eventos lá.

“O livro não é uma mercadoria, uma commodity. O livro é um lugar de encontro, de cristalização do bem comum, de construção comunitária. A gente vem tentando, nos últimos anos, pensar que a nossa ação em relação a transformações macropolíticas vem dessa frente ampla de defesa do livro”. – Rafael Limongelli
A presença dos grandes eventos do turismo afasta a pesca dos caiçaras, espanta e corrompe completamente toda a mata onde os quilombolas viveram por todo esse tempo, e os povos indígenas foram exterminados ali. Existe uma resistência guarani ali muito grande; existem alguns povos também que vieram de outros territórios para poder ocupar terras ali. Enfim, ali é um território muito truncado, muito cheio de violência. Tem que pensar que é o Estado do Rio de Janeiro, governado pelo poder legal e pela milícia.
Então, Paraty é isso. Ela não se diferencia tanto do Rio de Janeiro no sentido de milícia, política institucional, etc. Quando a gente chegou lá, sofremos muitas ameaças. O Glenn sofreu ameaças de morte; os bolsonaristas fecharam as ruas com barricadas, fizeram uma manifestação meio ridícula, tocando músicas do Ney Matogrosso. Uma tristeza que a direita se aproprie de um cantor tão importante para a esquerda, né.
Aí, a forma como nós fizemos uma estratégia com a nossa equipe de segurança antifascista foi: a gente criou dois carros fake que saíram pela rua como se estivessem levando o Glenn para o debate. Enquanto isso, saiu um outro carro normal levando ele para o cais pesqueiro, e do cais a gente atravessou com o Glenn de barquinho. A jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha, estava acompanhando o Glenn nesse barco. Tem um registro muito lindo, aliás, em vídeo, da conversa da Patrícia Campos Mello e do Glenn Greenwald nesse barco em que ele fala: “Eles até fazem barulho, mas são quantos? 50? Do nosso lado tem 5.000”, e tinha 5.000 pessoas esperando o Glenn para poder falar.
JF: Sobre a questão da circulação dos livros, nós vimos o grande problema que é isso. Algo que não pode ser apenas uma ação individual, mas que precisa de políticas públicas, precisa de investimentos. Como a FLIPEI pensa essas formas de circulação mediante a mídia que valoriza certos títulos e não outros?
RL: Acho que primeiro a gente tem que acabar com um grande mal-entendido. Se você olhar os dados estatísticos, o mercado literário mais efervescente é o mercado independente. Se a gente observar os últimos anos, tem a falência desses grandes monopólios literários que eram essas cadeias de livrarias, como Livraria Cultura, Saraiva, que faliram. Por quê? Porque as pessoas não querem só comprar o livro como mercadoria, elas querem ter um encontro. Elas querem encontrar os seus pares.
O que está muito vivo hoje em dia? Livrarias de bairro, livrarias nichadas, que têm um público específico; livraria para mulheres, para o povo queer, para o povo preto; livraria na quebrada, no centro, porque você promove o encontro do leitor com quem está produzindo o livro. Eu acho que isso mudou muito o mercado. Também mudou bastante a relação da venda peer-to-peer online. Isso é uma revolução também. A editora independente que antes estava presa à livraria conseguiu se independizar e ir para a própria venda de fato para o leitor.
Então, a venda direta entrega na casa do leitor. Lógico, tem a Amazon no meio do caminho bagunçando todo o coreto, porque a Amazon é assediadora, né? Chega para a editora independente e fala: “Ah, eu posso comprar seu lote inteiro de livros, mas você vai me vender a 30% do valor”. É um enfrentamento online. Ficou meio cruel, a parte da Amazon. A gente tem que entender como é que existe uma tentativa de regulação da Amazon em relação aos títulos que ela poderia ou não vender. Isso é uma coisa que a gente tem que colocar em pauta.
A Libre tem feito um trabalho muito importante; um vereador de São Paulo, o Nabil [Bonduki], também tem feito trabalhos importantes. Por exemplo, o Nabil esse ano está com uma proposta de lei para poder isentar as livrarias de rua do IPTU. Hoje em dia, por exemplo, templos religiosos são isentos de IPTU. E a gente tem que pensar que a livraria é um templo. E a livraria tem que ser isenta do IPTU também, assim como o cinema, etc. Então, isso está em andamento.
“Essa prática que a gente está fazendo aqui é executar, com os nossos próprios fundos, de forma autogerida, com as 200 editoras participantes dessa edição, a execução dessa Política Nacional do Livro. Então, esse ano a FLIPEI está distribuindo mil exemplares para professores e estudantes da rede pública de forma completamente gratuita”. – Rafael Limongelli
Existem pautas mais antigas, como a Lei do Papel. Por exemplo, qual é a dificuldade da editora independente de imprimir? Os grandes monopólios editoriais têm uma coisa chamada “banco de papel”, tipo a Melhoramentos. Eles vão lá, compram armazéns de estoque de papel e ficam estocando. Quem vai comprar no varejo paga muito mais caro, porque o que sobrou, o pessoal quer vender muito mais caro. Enquanto isso, a Melhoramentos, que é um grande monopólio, tem todo um banco de papel disponível.
[Poderia haver] alguma lei que criasse um banco de papel comunitário feito para produtoras independentes, ou colocasse algum tipo de limite de compra para que esses grandes monopólios não pudessem comprar todo o papel que há no mercado. Então acho que existem alguns representantes políticos que estão aí tentando puxar essa pauta. E algumas outras organizações também.
A FLIPEI serve muito mais como palco para que isso aconteça do que como [meio para nós mesmos] desenharmos essas leis. A gente gosta de convidar as pessoas para que elas possam ocupar o nosso território com esses debates, e aí o debate ganha corpo, ganha público.
[Ao ser questionado sobre ações como a distribuição de livros durante o evento e diferenças em contraste com outras festas e feiras literárias, Limongelli prosseguiu:]
É isso, você quer contrastar com a Fip, eu posso ficar [falando por] cinco horas, porque o contraste é brabo e eu estou chamando há anos um debate público entre a gente e os dirigentes da FLIP, né? Então, se quiser fazer esse convite público também, Mauro Munhoz [diretor artístico e cultural da Associação Casa Azul, realizadora da Flip], Marco Cachada [administrador na mesma Associação], estamos esperando o convite para debater publicamente o que é fazer um festival literário e defender uma política do livro.
Mas, por exemplo, a FLIPEI está fazendo esse ano uma coisa que é: existe na Política Nacional do Livro uma perspectiva de que professores e estudantes da rede pública deveriam ter acesso a livros de forma gratuita. Seria uma espécie de tarifa zero para essa categoria social, que obviamente é uma categoria-foco da leitura.
Hoje, a gente recebeu aqui o [Fabiano] Piúba, que é o Secretário Nacional do Livro, e ele disse uma fala muito bonita, que o plano é um mapa de navegação para que um dia isso venha a acontecer, mas é só uma lei. Falta à sociedade se organizar para fazer acontecer. Quando ele falou isso, achei interessante porque, de fato, os corsários, os piratas, sempre foram aqueles que navegaram antes dos impérios. Eles que fizeram as rotas comerciais, eles que estavam lá navegando, explorando, encontrando caminhos novos.
E aí, essa prática que a gente está fazendo aqui é executar, com os nossos próprios fundos, de forma autogerida, com as 200 editoras participantes dessa edição, a execução dessa Política Nacional do Livro. Então, esse ano a FLIPEI está distribuindo mil exemplares para professores e estudantes da rede pública de forma completamente gratuita.
[Sobre a tarifa zero para as editoras:]
Isso é uma coisa importante. A FLIPEI, esse ano, recebeu mais uma vez um ProAC [o Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo], que é uma conquista da classe trabalhadora da cultura; uma conquista recente de 20 anos. Ou seja, a gente está com recurso público. Recurso público é suficiente para fazer o festival inteiro? Não é, tá? A gente usa uma parte dele; outra parte a gente consegue de outras formas: apoios, patrocínios, venda de material, venda de livros. A gente faz o diabo para conseguir financiar o trabalho todo.
“Se é dinheiro público, a coisa tem que ser pública. Agora, não dá para ser público cobrando 6 mil reais para um editor poder ter uma mesinha e poder expor livros. Isso é um descalabro”. – Rafael Limongelli
Mas a gente, com recurso público, pensa: a gente tem que fazer a coisa ser pública. Ora, quando eu olho para a Feira da Pacaembu [A Feira do Livro realizada pela Associação Quatro Cinco Um] e para a Flip, que também recebem dinheiro público… porque a Lei Rouanet, por mais que tenha a marca da empresa, é via edital público, é dinheiro que deveria ser imposto, mas foi a empresa que ofereceu. Se é dinheiro público, a coisa tem que ser pública. Agora, não dá para ser público cobrando 6 mil reais para um editor poder ter uma mesinha e poder expor livros. Isso é um descalabro. Quais são os editores que têm dinheiro, 6 mil reais antecipados, para poder se inscrever numa feira? É lógico, é a elite branca da Santa Cecília. Agora, os grupos editoriais que estão aqui, se você for olhar, 70% deles não se reconhecem como pessoas moradoras do centro. 70% se reconhecem como pessoas da periferia. Então, obviamente, essas pessoas da periferia não têm 6 mil reais para poder investir de antemão numa feira do livro. Quando tem, faz dívida.
A gente nunca teve casa na Flip. A gente estava fazendo uma coisa na praça pública. Teoricamente, não devíamos nada à Flip. Mas [a organização da Festa] fica responsável juridicamente pela cidade de Paraty, pelo perímetro, como se a prefeitura cedesse o uso do espaço público para a Flip e, a partir disso, ela começa a cobrar da gente. Dizendo: “Ah, vocês têm que pagar tanto por metro quadrado, porque o Melhoramentos paga tantos mil por metro quadrado; vocês estão usando tantos metros quadrados, têm que pagar tanto”.
É sempre um grande tem que pagar. Agora me pergunto: a gente faz 67 debates, 200 convidados, 200 editores, cinco dias de festival, a gente tem um orçamento do ProAC – e isso é informação pública – de 500 mil reais, e a gente consegue fazer sem cobrar das pessoas. Agora, o último orçamento da Flip [referente ao ano de 2025] – também é público esse valor – foi de 10 milhões de reais.
Eles têm R$ 10 milhões e estão cobrando dinheiro das pessoas ainda? Para onde vai esse dinheiro? O que é feito? Onde é gasto? Porque não vejo ali em Paraty, ou mesmo no Pacaembu, política pública sendo executada, ou acessibilidade. Não falo da acessibilidade para pessoas com deficiência, que acho que eles fazem bem, mas de uma acessibilidade social, acessibilidade econômica, acessibilidade racial. Não vejo isso acontecendo. E eles têm um orçamento muito maior. Por que eles não querem partir o bolo? A gente pega o bolo e divide lá na porta, na praça, que nem o Padre Júlio Lancellotti, sabe? A gente é fruto da militância, a gente é fruto de movimento social.
JF: Por isso, a ideia justamente de fazer em um barco, e não em uma casa, já na época da Flip?
RL: Também, porque a gente queria confrontar a especulação imobiliária, né? Não dá para pagar R$ 45 mil no aluguel de uma casa por cinco dias. É muito dinheiro, e eu nem sei que dinheiro é esse. Nunca tive. Como é que você vai pagar isso por uma casa por cinco dias? É um absurdo.
JF: Por fim, se for possível resumir em uma ideia o que a FLIPEI quer provocar no público nesta edição, qual seria?
RL: Eu acho que a gente espera das pessoas o que elas podem oferecer. Porque eu acho também que os projetos culturais têm essa missão muito bem definida: “Ah, a gente gostaria que o público saísse emancipado, que o público saísse esclarecido”. Desculpa, mas a gente não é ninguém para poder dizer o que é uma mente emancipada ou não.
A gente que organiza a FLIPEI também tem dúvida; a gente também tem pergunta. E a gente está aqui se colocando na praça, na rua, para poder se perguntar coletivamente. Cada pessoa coloca na pilha o que pode colocar e tira da pilha o que pode tirar. Então, quando me perguntam o que eu espero do público da FLIPEI: eu espero que elas passem um bom tempo com a gente, experimentem, se sintam parte, se sintam pertencentes e peguem as coisas com as mãos para fazer as perguntas junto com a gente, porque a gente não tem nenhuma vontade de esclarecer nem de iluminar ninguém. A gente quer perguntar junto.

José Felipe é graduando em Letras Português e Italiano pela USP. É tradutor e pesquisador de literatura.
