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Uns tais romances desobedientes: mesa da revista O Odisseu na Casa Acaso reúne Breno Botelho e Vítor Kappel para discutir seus romances de estreia

Com mediação de Ewerton Ulysses Cardoso, primeira mesa da revista O Odisseu na Casa Acaso tem conversa sobre o gênero romance e as suas reverberações na contemporaneidade.

Fotos: Fabson Gabriel Pereira (O Odisseu).


Aconteceu hoje (23) pela manhã, as primeiras mesas da programação de Casa Acaso, uma das casas parceiras da Festa Literária Internacional de Paraty e que tem curadoria do jornalista Octávio Santiago e da professora de escrita criativa Julie Fank. A mesa “Uns tais romances desobedientes”, que teve a participação dos escritores Vítor Kappel, autor de O Céu de Isaías (Patuá), e Breno Botelho, autor de Pilares (Patuá), falou sobre os desafios impostos pela própria natureza do romance e sobre os seus respectivos processos de escrita. Ambos são escritores estreantes e que estrearam justamente com romances. A conversa foi mediada pelo editor da O Odisseu Ewerton Ulysses Cardoso.

Vítor Kappel, autor de O Céu de Isaías, em mesa na Casa Acaso (Foto: Fabson Gabriel Pereira/ O Odisseu)

“Toda história queer é um exemplo de desobediência”, diz Vítor Kappel em mesa na Casa Acaso

Autor de O Céu de Isaías, Vítor Kappel falou um pouco da escrita de seu personagem, Isaías, um adolescente que se vê descobrindo o mundo, seus desejos e a si mesmo. Trata-se de um romance de formação que também desenvolve uma ambientação de suspense.

Na mesa, o autor falou sobre como a sua relação com a escrita se desenvolveu, em grande parte, junto às oficinas de escrita criativa e defendeu que, para lidar com o gênero, é preciso da reescrita. “Eu reescrevo mais do que escrevo”, disse Vítor em determinado momento. Em “Isaías”, Kappel trabalhou a reescrita e o corte como uma forma de aprimorar a história e, na mesa, contou sobre como não teve medo de encarar a publicação de uma obra “de fôlego”.

Ao contrário do que alguns preferem afirmar, Vítor defende que o leitor contemporâneo lê sim histórias mais longas, apesar de compreender que tamanho de um livro não atrapalha em nada a qualidade do texto literário. O Céu de Isaías, apesar de não chegar a 300 páginas, tem sido considerado como um romance de maior extensão. Sobre a desobediência em si, termo que marca o caráter da mesa, Kappel não hesita em dizer que o caráter queer de sua obra a torna diretamente subversiva.

“É preciso respeitar o tempo e o tamanho que cada história pede”

Breno Botelho também falou do tamanho que o romance propõe. O tema foi levantado pela provocação do editor Ewerton Ulysses Cardoso que abordou a lenda de que o leitor contemporâneo não lê obras grandes, o que justificaria os tamanhos menores dos romances atuais. Em resposta, Breno disse que o autor precisa respeitar o tamanho e o tempo que cada história pede, defendendo que cada história possui um tamanho próprio. Como exemplo, ele citou “O velho e o mar”, de Ernest Hemingway e “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, dois livros proporcionalmente opostos, mas com a mesma qualidade literária.

O autor também falou sobre como houve um processo intenso de leitura e pesquisa para a escrita de seu romance “Pilares”, uma ficção especulativa na qual Botelho inventa um país no meio do Atlântico, ex-colônia portuguesa, e que reverbera muito da história do Brasil e dos demais países ex-colônicas com todas as suas contradições. Botelho contou que o fato dele ser um leitor ávido dos livros de história e dos noticiários o ajudou a construir essa narrativa tão peculiar. Aproveitou para falar sobre a coluna “Dínamo”, sobre livros e política, que agora assina na revista O Odisseu. O primeiro texto desta coluna você já pode conferir diretamente no site da revista, basta clicar aqui.

Breno Botelho, autor de Pilares (Patuá) em mesa na Casa Acaso.

A programação da Casa Acaso é inteiramente gratuita, basta chegar na Rua Comendador José Luiz, n278. A programação completa com o horário de todas as mesas, você confere aqui no site.