FLIP 2026

Água parada água parada água parando: entre a fragilidade humana e o monumental 

Sob mediação da jornalista Laura Capelhuchnik, a mesa Água parada água parada água parando desenvolveu-se na intersecção do livro O médico doente (Drauzio Varella),e Malária (Carmen Stephen).

Foto: Walter Craveiro (Divulgação/ FLIP).


A sexta-feira (24/07) cinzenta não foi capaz de arrefecer o palco principal da FLIP para Drauzio Varella e Carmen Stephen. Nem o tema central da mesa, a transformação de experiências próprias de quase morte em Literatura, diminui o ímpeto do público que lotou as cadeiras da praça da Matriz. Afinal, o carisma de ambos contagiou cada um dos presentes. 

Sob mediação da jornalista Laura Capelhuchnik, a conversa desenvolveu-se na intersecção do livro O médico doente (Drauzio Varella, Companhia das Letras), a respeito da febre amarela contraída na Amazônia, e Malária (Carmen Stephen), sobre a doença homônima. O primeiro livro servindo de inspiração para o segundo, nas palavras da própria autora alemã, usando-o, inclusive, como caderno de anotações.

“Ficar do outro lado do balcão é péssimo!”, confidenciou Drauzio. “A morte quando chega devagar impõe a resignação”, respondeu diante da certeza do óbito quando do diagnóstico. Eis a “desilusão de um homem que chega ao fim”, o que, para a nossa sorte, não ocorreu. 

Carmen, cuja obra tem na fêmea do mosquito anopheles como narradora, destaca que não havia outro caminho para o processo de escrita senão tal artifício literário. Destaca que o objetivo era “dar uma voz da natureza”, muitas vezes irônica e raivosa “do ser humano que acha que entende tudo”. O nome científico do mosquito, algo como “inútil” em tradução livre, demonstra que, no final das contas, a natureza é indiferente às pretensões humanas.

Além do par de meias da mediadora, nenhum mosquito foi reportado ao longo da duração da mesa. A informação, contudo, ainda não foi confirmada.