Reportagem

Literatura, essa fiel companheira: Livraria Favorita comemora onze anos de clube de leitura com festa e debate

No último sábado (22/08), a Livraria Favorita, localizada no coração de Três Rios/RJ, celebrou o 11º ano ininterrupto de seu clube de leitura mensal com Malária: um romance (Tinta da China, 2026) e marca o seu papel comunitário no interior fluminense.

Foto: Divulgação/ Livraria Favorita.


Salgadinhos, sanduíches, queijos e vinhos para todos os gostos, bolos e casa cheia. Assim a Livraria Favorita, localizada em Três Rios/RJ, cidade de oitenta mil habitantes no centro-sul fluminense, comemorou onze anos do seu clube de leitura mensal. Mediado por Aline Guimarães, autora de Cenas de um luto retido (Urutau, 2026) e doutoranda em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e idealizado pela livreira Sabrina Travassos, mestranda em Artes também pela UFJF, o clube desperta um forte senso de comunidade entre os seus integrantes.

“Um dos meus maiores sonhos como livreira era criar um Clube de Leitura”, diz Sabrina Travassos, criadora do Clube de Leitura da Livraria Favorita

Os dados impressionam. De acordo com Sabrina, foram lidos e debatidos 135 livros ao longo de mais de uma década, exatas 37.674 páginas divididas entre 119 escritores (70 mulheres, importante frisar) espalhados por 32 países e 38 editoras diferentes. Tamanha pluralidade também reflete no perfil dos integrantes e na oferta de projetos diversificados para novos e antigos públicos ao longo dos anos: Leituras Feministas mediado por Lívia Guida, Literatura Asiática por Tiago Elmôr, Clube de Leitura HQ por Barbara Maria, Leitura e Ciência por Caio Cerqueira, Direito e Literatura por este que vos escreve, e tantas outras iniciativas. Sobre o sucesso do projeto, Sabrina reflete o papel dos clubes de leituras para a formação de uma comunidade literária:

“Um dos meus maiores sonhos como livreira era criar um Clube de Leitura, reunir leitores para conversar sobre os livros que lemos, trocar experiências e enxergar, pelo olhar do outro, novas possibilidades de leitura. Acredito que essa é a magia de um encontro literário… perceber que o ato da leitura, embora muitas vezes solitário, também pode ser coletivo e, a partir das diversas interpretações que uma mesma literatura pode despertar, construímos uma nova leitura”.

Aline também reforça o papel agregador da Literatura e reflete sobre o sucesso do clube, mesmo com os desafios impostos por cenários cada vez mais desafiadores para o mercado literário e a convivência política.

“Acredito que não existe uma fórmula para chegar ao clube de 11 anos com tanto fôlego”, diz Aline Guimarães, mediadora do Clube de Leitura da Livraria Favorita

“Ao longo de todos os anos, o clube me lembrou o quanto a leitura e a literatura podem promover encontros. Muitas pessoas e histórias passaram por nós. Algumas ficam e permanecem. Em meio a tentativas, erros e acertos, acredito que não existe uma fórmula para chegar ao clube de 11 anos com tanto fôlego. O que consigo elaborar como prioridade de trabalho é a importância de ouvir o outro, com toda a sua complexidade e subjetividade”. – Diz Aline Guimarães.

Entre os novos e tradicionais leitores presentes no encontro envolvendo Malária: um romance, obra de Carmen Stephen destaque na última FLIP, Cristiane Salgueiro destaca-se no salão com capacidade plena. Presente desde o primeiro encontro em 2015, a trirriense faz de tudo para não perder os encontros. “O clube é parte integrante da minha vida. Quando finalizamos um encontro, já espero ansiosamente pelo próximo”, garante. Perguntada sobre a importância destes encontros, Cris declara o seu amor à Literatura:

“A literatura foi minha companheira a vida inteira, nos livros fui à lugares nunca imaginados, conheci gente que jamais pensaria encontrar, vivi momentos emocionantes, extenuantes, aventura, drama, comédia, ação, reflexão. Vejo como um momento de partilhar meu amor pelos livros, poder falar sobre o que li, colocar minhas impressões, percepções, sentimentos e dividi-los com outras pessoas. Aprender com elas, ouvir outras opiniões, outras impressões e vivências, descobrir novas versões sobre a mesma história, novos pontos de vista, por vezes tão diferentes dos meus. É um espaço democrático”.

Entre os brindes, abraços e reflexões sobre a existência e a fragilidade humanas expressas em Malária, uma voz foi unânime (e reforçada pelo repórter que dedicou o próprio romance ao clube de leitura da Favorita): que venham novos livros, novas histórias, personagens e amigos do clube de leitura!