Crítica

Cortazár revisitado: Companhia das Letras republica “O escorpião encalacrado”, clássico de Davi Arrigucci Jr

Há mais de cinquenta anos, Davi Arrigucci Jr ensinava, em “O escorpião encalacrado: A poética da destruição em Julio Cortázar”:  a perseguição é uma metáfora que também se aplica à crítica. Foto: Cortazar e DAJ , 1973. Foto de Lucio Gomes Machado. Reprodução. Imagine o leitor que está defendendo sua tese de doutorado. Seu orientador …

Crônica

Sente o gingado

Eu havia treinado a minha dança no chuveiro muitas vezes antes. Estava mais do que pronta para exibir minhas incríveis habilidades. Eu sentia a capoeira. Eu vivia a capoeira. Eu era a capoeira. Arte: ‘Capoeira’, de Maria Auxiliadora da Silva (Acervo digital do MASP). Quando me perguntam qual esporte eu pratico, tenho dificuldade em não …

Lançamentos

“Não volte sem ele”: Rafael Caneca reconta a história da seca de 1930 e dos “campos de concentração”, que enclausuraram retirantes nordestinos, em primeiro romance

Em entrevista à revista O Odisseu, escritor cearense conta que seu primeiro romance, “Não volte sem ele” (Mondru), nasce da necessidade de não esquecer o passado e encarar os traumas históricos. O tema da seca de 1930 (ou da seca em geral), bem como as narrativas em torno dos retirantes que fugiam dela, não são …

Lançamentos

Uma impostora em Harvard: As entranhas ridículas e tão ternamente infantis de todos nós, por Maria Homem

Talvez não reste pedra sobre pedra e sejamos mesmo esta espécie frágil e sonhadora, com muito medo de tudo e atônita diante do mistério. Só posso calar e me curvar diante da impostura que está em toda criação. Foto: Divulgação Querido JF – Jacques Fux Agora que mergulhei no labirinto do Uma impostora em Harvard …

Crítica

Uma vida vivida e seus caminhos de ressignificação em ‘Meu Braço Esquerdo’, de Viviane Mosé

Em Meu braço esquerdo: um sim à vida (Civilização Brasileira, 2024), romance indicado ao Prêmio Jabuti de 2025 (sua terceira indicação ao prêmio), o leitor se depara com uma narrativa que causa estranhamento ao borrar as fronteiras entre ficção e autobiografia, prosa e poesia. Foto: Nando Chagas (Divulgação). Certa vez, participando de bancas de produção …

Trecho

Primeiro Capítulo de ‘Tempos Amarelos’, de Verônica Yamada

Em “Tempos amarelos”, sua primeira obra de healing fiction, Verônica Yamada apresenta uma protagonista nipo-brasileira em um futuro próximo, adoecida pela intensificação de uma cultura de trabalho que conduz à desumanização.  Pela terceira vez desde que ela havia se sentado, o reservatório de urina vazou. Marina já estava acostumada: sempre que ia trabalhar, esquecia-se de …

Crítica

Fim-do-mundo: Divisão racial do espaço em ‘O céu para os bastardos’, de Lília Guerra

Fim-do-Mundo, nome que sintetiza bem o universo que a autora quer retratar em O céu para os bastardos (Todavia, 2025): a periferia de São Paulo. Foto: Bruno Santos (Folhapress). O Céu para os Bastardos, romance de Lília Guerra lançado pela Todavia em 2023, é um mosaico de vozes periféricas que dão corpo ao fictício bairro …

Crítica

São Paulo: Um Delírio: Uma leitura de ‘Cidadão’, livro de contos de Ricardo Pecego

Cidadão, livro de contos de Ricardo Pecego (Cachalote, 2025), é marcado pelo incômodo. Tudo isso, entretanto, não são atributos ruins à obra, mas apenas mostram que o autor está compromissado com o retrato mais fidedigno possível da cidade de São Paulo. Como se conta a história de uma cidade? Ou como se elabora o perfil …