
Na FLIP, Zadie Smith defende o direito ao contraditório e à liberdade de escrita
Em mesa mediada pela escritora Juliana Borges, a autora britânica Zadie Smith fala sobre se aproximar de pessoas que pensam diferente e pede liberdade para escrever personagens imperfeitos.
Foto: Reprodução/ Youtube.
Uma das autoras mais aguardadas da FLIP 2026, Zadie Smith, autora de títulos como “A Fraude” e “Dentes brancos”, todos publicados pela Companhia das Letras, lotou o auditório da Praça Matriz mesmo sendo a mesma noite e horário de Angela Davis na programação do SESC.
Um dos tópicos iniciais foi sobre o afastamento de Smith do seu país de origem, o Reino Unido. Morando em Nova York, Smith confessou desenvolver outro olhar sobre os britânicos e seus costumes, como, por exemplo, a monarquia.
Logo em seguida, a conversa circulou entre as obras ficcionais de Smith, mas também sobre a sua escrita ensaística. Puxando o foco para ensaios recentes, como um que publicou na Vogue sobre os seus looks enquanto performances e formas de inventar a si mesma, Juliana Borges tocou em questões que circulam o pensamento e escrita de Zadie como um todo, como as representações literárias de pessoas diversas, o ensaio enquanto um espaço comum e a influência das artes plásticas sobre a sua escrita.
“Não me ajuda pensar em mim mesma como uma pessoa perfeita, mas como um ser humano”, diz Zadie Smith na FLIP
Em determinado momento, Juliana Borges pergunta sobre como representar personagens de maneira profunda e, por vezes, contraditória. Borges falou sobre como, na contemporaneidade, alguns livros parecem ser justificados pelas temáticas ou posições políticas e ideológicas que defendem.
Zadie defendeu que sua escrita não tem compromisso com posições políticas, embora reconheça a importância da arte. Contou que tenta manter uma relação próxima com seus parentes com quem pensa diferente, como parentes evangélicos que acreditam que ela vá para o inferno. Para a autora de “Dentes Brancos”, o modo mais eficiente de conseguir escrever sobre essas pessoas é se aproximar delas e não simplesmente ler sobre elas.

