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Água como elemento da escrita contemporânea

Clara Amorim indica 5 livros em que a água atravessa a literatura. Em Salto, segundo livro de poemas de Clara Amorim, a autora mineira se apropria da força simbólica da água para elaborar, em…

Clara Amorim indica 5 livros em que a água atravessa a literatura.


Em Salto, segundo livro de poemas de Clara Amorim, a autora mineira se apropria da força simbólica da água para elaborar, em versos e fragmentos de prosa, questões sobre memória, transformação, escrita e descoberta do corpo.

Nascido a partir de anotações feitas durante as aulas de natação da autora, Salto desdobra esse contato com o universo aquático em uma investigação poética sobre movimento, linguagem, perdas e recomeços. 

Pensando na relação entre o universo aquático e a literatura, tão presente na tradição, de Camões à Clarice Lispector, Clara Amorim seleciona cinco obras de autores contemporâneos que partem do elemento água para explorar questões existenciais como a memória, os afetos e a própria escrita. 

Confira a lista abaixo:

5 livros que têm a água como elemento da escrita

Melhor não contar, de Tatiana Salem Levy

Nesse romance, a piscina sai do senso comum da esfera lúdica, tornando-se cenário de uma difícil cena da infância que é fio condutor da narrativa sobre gênero, escrita e memória.

Nadando de volta para casa, de Deborah Levy

Aqui, a piscina também é cenário significativo da narrativa: os personagens orbitam ao seu redor, vivendo suas tramas e segredos. A partir desse romance eu entendi – a piscina é um grande buraco no chão, e isso pode significar muitas coisas.

Memórias da água, de Rafaela Tavares Kawasaki

Água e memória parecem ser feitas da mesma matéria, e esse livro de poemas de Rafaela Tavares consegue traduzir isso por meio de imagens inusitadas da água, desde melancias a arrozais alagados.

Antropologia da água, de Anne Carson

Numa mistura de gêneros bem comum à Anne Carson, esse ensaio poético/diário de viagem também incorpora à diversidade da forma da escrita as várias formas da água: chuva, gota, lago. “Vista-se, as águas são profundas.”

Nadar é escrever e vice-versa, de Julio Trujillo

Nesse ensaio, Julio Trujillo aproxima a natação da escrita. Escrever poesia é como movimentar-se na água: é tudo sobre ritmo e respiração.

Conheça ‘Salto’, de Clara Amorim

Neste livro de poemas, Clara Amorim explora a água e sua relação com os mais diversos contextos da vida. Mesclando poemas em verso e prosas poéticas, há inumeráveis possibilidades de alinhamentos entre os textos a partir de temas como a escrita, a natação, a existência da mulher, a chuva, os rios e mares etc. Um livro pensado em toda a sua materialidade, textual e gráfica, de modo a possibilitar ao leitor uma verdadeira imersão no texto poético.

MAR ABERTO

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