FLIP 2026

Maior projeto voltado à comunidade LGBTQIAPN+ na Flip, Casa Queer mobiliza apoios para viabilizar edição de 2026

Em Paraty, a Casa Queer também recebe um grande retorno desde a primeira edição. Este ano, Alexandre Vidal Porto, Monica Benício e Eva Baltasar estão na programação.

Foto: Divulgação.


A Casa Queer é a primeira e, até hoje, a única casa, dentro da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), com programação centrada nas questões de gênero e sexualidade. Tendo as experiências e as narrativas dissidentes como ponto de partida, o espaço fomenta importantes debates sobre literatura, arte, cultura, política e direitos humanos.

A iniciativa foi idealizada por Jean Cândido, editor à frente da Edições Cândido, após assistir a uma mesa da escritora argentina Camila Sosa Villada na Flip de 2022. Na ocasião, um comentário transfóbico feito pelo mediador levou Jean a concluir que era preciso construir um local em que pessoas LGBTQIAPN+ ocupassem o protagonismo das discussões. No ano seguinte, ele realizou a primeira edição da Casa Queer. Desde então, o projeto passou a reunir outros colaboradores e nomes cruciais do mercado editorial, entre eles Tássio Ferreira, Paula Curi, Amara Moira, Renan Quinalha, João Corrêa, Vini Rigoletto e Ravel Machado.

Comprometida com o ativismo e com a ampliação do diálogo sobre diversidade, a Casa Queer expandiu sua atuação para fora da Flip, estreando, em 2024, na Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo. Bem recebida pelo público, a participação se consolidou e passou a integrar o calendário anual do evento.

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Programação da Casa Queer em Paraty (Foto: Divulgação)

Em Paraty, a Casa Queer também recebe um grande retorno desde a primeira edição. As mesas costumam atingir a lotação máxima e, em alguns momentos, superam a capacidade do espaço, com parte do público acompanhando as atividades do lado de fora. Além da agenda voltada à literatura, a organização promove uma festa, que acontece sempre aos sábados, e que se tornou a maior festa da Flip. 

“O mais legal que aconteceu com a casa foi ver que as pessoas passaram a reconhecê-la como um ponto de encontro da comunidade LGBTQIAPN+, um lugar onde sabem que vão encontrar seus amigos”, afirma Jean Cândido, idealizador da Casa Queer

Como a Casa Queer é construída de forma colaborativa e os custos em Paraty durante a semana da Flip são elevados, o projeto conta, atualmente, com o apoio de dois patrocinadores: a AFBNDES (Associação dos Funcionários do BNDES), parceira desde a primeira edição, e o Sebrae Rio, que se juntou à iniciativa em 2025. Expositores associados, como as marcas de roupas Alastra e Ponto Q e a editora O Sexo da Palavra, também contribuem para a viabilização, assim como a renda obtida com o bar próprio da casa. Outro fator essencial para suprir as despesas e para a Casa Queer se manter é a campanha de financiamento coletivo, disponível através deste link.

“As pessoas costumam achar que, por termos patrocinadores, não precisamos de outras colaborações. Mas talvez não tenham ideia do custo que é levantar uma casa na Flip. Mesmo com os expositores, a renda do bar e a campanha, ainda precisamos colocar dinheiro do próprio bolso para fazer o projeto acontecer. Estamos em busca de novos patrocinadores, mas, enquanto isso, o financiamento coletivo é fundamental”, explica Jean Cândido.

A Flip acontece entre os dias 22 e 26 de julho. A programação da Casa Queer tem início no dia 23 e segue até 26 de julho, das 10h às 22h, na Rua Luiz Socó, nº 1, no Centro Histórico de Paraty. Entre os participantes confirmados estão Monica Benicio e Alexandre Vidal Porto e, entre os convidados internacionais, a catalã Eva Baltasar e o canadense Éric Chacour, que também integram a agenda principal da Flip. A programação completa da Casa Queer pode ser consultada no perfil @acasaqueer no Instagram.