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Crítica

“Em que espelho ficou perdida minha face?”: sobre o livro Para não acabar tão cedo, de Clarice Freire

É desprezível o entendimento humano de que o envelhecimento exista para pesar nas mulheres e em mim como se cada fronteira dobrada pelo corpo fosse uma derrota ou uma vergonha triste, quando, na verdade, significa triunfos tácitos riscados na pele. Poucas coisas são mais bonitas no corpo feminino do que os sinais da vida que …

Crítica

Cortazár revisitado: Companhia das Letras republica “O escorpião encalacrado”, clássico de Davi Arrigucci Jr

Há mais de cinquenta anos, Davi Arrigucci Jr ensinava, em “O escorpião encalacrado: A poética da destruição em Julio Cortázar”:  a perseguição é uma metáfora que também se aplica à crítica. Foto: Cortazar e DAJ , 1973. Foto de Lucio Gomes Machado. Reprodução. Imagine o leitor que está defendendo sua tese de doutorado. Seu orientador …

Crítica

Uma vida vivida e seus caminhos de ressignificação em ‘Meu Braço Esquerdo’, de Viviane Mosé

Em Meu braço esquerdo: um sim à vida (Civilização Brasileira, 2024), romance indicado ao Prêmio Jabuti de 2025 (sua terceira indicação ao prêmio), o leitor se depara com uma narrativa que causa estranhamento ao borrar as fronteiras entre ficção e autobiografia, prosa e poesia. Foto: Nando Chagas (Divulgação). Certa vez, participando de bancas de produção …

Crítica

Fim-do-mundo: Divisão racial do espaço em ‘O céu para os bastardos’, de Lília Guerra

Fim-do-Mundo, nome que sintetiza bem o universo que a autora quer retratar em O céu para os bastardos (Todavia, 2025): a periferia de São Paulo. Foto: Bruno Santos (Folhapress). O Céu para os Bastardos, romance de Lília Guerra lançado pela Todavia em 2023, é um mosaico de vozes periféricas que dão corpo ao fictício bairro …

Crítica

São Paulo: Um Delírio: Uma leitura de ‘Cidadão’, livro de contos de Ricardo Pecego

Cidadão, livro de contos de Ricardo Pecego (Cachalote, 2025), é marcado pelo incômodo. Tudo isso, entretanto, não são atributos ruins à obra, mas apenas mostram que o autor está compromissado com o retrato mais fidedigno possível da cidade de São Paulo. Como se conta a história de uma cidade? Ou como se elabora o perfil …

Crítica

O poema e os dias de Claudia Roquette-Pinto

A poesia visual de Claudia Roquette-Pinto não se agarra a soluções estabelecidas, mas rompe com qualquer tentativa de prescrição. custa o tempo de um tropeçolapidar uma palavra.“Litografia” Uma das definições clássicas da poesia trata da sua capacidade de nomear as coisas (do grego, onomas poiésis), restituindo, assim, a vida que se desvanece quando uma palavra …

Crítica

A escrita talhada no corpo em ‘Meu corpo é testemunha’, de Maurício Rosa

Dividido em oito partes, Meu corpo é testemunha narra o amor do sujeito lírico por uma travesti, Maria, que, após consumar a relação com o sujeito poético, sai em busca de vingança pelo assassinato de seu irmão. Foto: Divulgação. Aleida Assmann, em Espaços de Recordação, discute a relação entre memória e corpo, analisando como as …

Crítica

Cenas de nossa história coletiva: ‘Diáspora não é lar’, de Nina Rizzi, transforma em poesia a sensação de despertencimento

Em “Diáspora não é lar” (Editora Pallas, 2025), Nina Rizzi rasura o que a crítica literária espera de uma poesia negra. (Foto de Lavínia Lopes). Desde o início da minha vida enquanto pesquisador em literatura, busquei mapear e falar sobre os livros “da diáspora”. Muito impactado pela leitura de Memórias da Plantação, de Grada Kilomba, …