
É necessário preservar a alegria
Vou percebendo que o objeto de meu estudo é a memória, e que Dona Terezinha me deixou com as mãos cheias de amor.
Arte: Eustáqui Neves. Série “Máscara de Punição” (Reprodução, via SESC).
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Terezinha de Jesus do Amaral Ramos.
Dona Terezinha faleceu na madrugada do dia 21 para o dia 22 de fevereiro.
É tudo tão rápido. Mesmo me preparando para esse momento — a Vó já estava no hospital, com seus 95 anos, o corpo frágil querendo descansar — mesmo assim, quando acontece, dói. Continua doendo. E continuará.
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Maria Iracema Pires dos Santos.
Dia 09 de março de 2020 minha mãe faleceu. Hoje faz 06 anos.
É difícil mensurar esse misto de vazios.
Nesse momento me agarro nas memórias felizes, nas memórias de encontro, de presença, elas são o acalanto para o coração.
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Lá em 2020, antes da pandemia teve carnaval e eu tive um convite. Não fui pro carnaval, fui visitar minha mãe. Um dia bonito que tenho medo de perder da memória.
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Vou percebendo que o objeto de meu estudo é a memória, e que Dona Terezinha me deixou com as mãos cheias de amor.
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Já li muitas coisas sobre o luto, muitas coisas sobre perder alguém da família e já li muitas coisas sobre cuidar dos nossos mais velhos, contudo viver essa dor é diferente. Estar nesse lugar é muito difícil. Saber de outras vivências dá colo, mas não tira a vontade de chorar.
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Boneca de Linha
Em 1930 ela veio à luz
Com dano e sem plano
Terezinha de Jesus
Única menina de 6 irmãos
Desde sempre foi
Zelo, trabalho, coração.
Pretinha do sol
Ajudava a mãe
Lavando e batendo lençol
E cada trocado era guardado
Pro presente da menina tão sonhado
Uma boneca bordada
Feita de linha
Toda enfeitada
A coisa mais linda
O Natal era na praça
Festa de graça e muita alegria
Papai-Noel no caminhão
Jogava presentes na multidão
A boneca tão sonhada
Estava em suas mãos
A menina correu aflita
Cheia de gratidão
Para se acalmar
Foi beber água perto do poço
O destino trouxe o vento como um soco.
Levantou tudo pro ar
Em um segundo
Viu o sonho acabar.
A boneca mergulhou no fundo do poç
E a menina Terezinha
Virou choro até a noite terminar.
O tempo passou
Mas as lágrimas continuam…
A maior dor da minha vó
é o falecimento do meu avô
E a segunda maior
É a boneca de linha
Que nunca mais voltou.
Escrevi esse verso no meu primeiro livro em 2018.
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Muitas pessoas conhecem o meu trabalho, mas muitas não tiveram a chance de conhecer Dona Terezinha pessoalmente. Fiquei muito feliz em receber muitas mensagens em forma de abraço nesse momento. Através das minhas palavras, Dona Terezinha era muito querida e amada, isso conforta meu coração.
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Uma das mensagens que mais me toca é essa:
“e minha parte egoísta pede pra tu encostar bastante, pq o cheirinho, o toque molinho, isso, vai doer nao ter mais”
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Desde que minha mãe faleceu, meu pai nunca falou sobre isso.
Dias atrás, ele pediu: vamos acender uma vela pra tua mãe e pra vó.
Me emocionei bastante.
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Esse texto é uma tentativa de homenagem.
Também uma tentativa de agradecer e seguir.
Entre sorrisos e lágrimas seguimos.
Obrigado mãe.
Obrigado vó.

