
Pego a jóia da Alma e trago minha mãe de volta
Quando Dona Terezinha faleceu, aquele olhar único, amoroso, afetuoso, acolhedor, faleceu com ela.
Arte: “Citrine by the Ounce”, de Lynette Yiadom-Boakye (2014). Reprodução.
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Dia desses, vi um vídeo de uma atriz sobre perder a mãe.
“Quando minha mãe faleceu, faleceu com ela um olhar amoroso sobre mim.”
Chorei muito ao ouvir essa frase. É exatamente isso.
Quando Dona Terezinha faleceu, aquele olhar único, amoroso, afetuoso, acolhedor, faleceu com ela.
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“Pego a jóia da Alma e trago minha mãe de volta.”
Desde que ouvi essa frase na música MMXX, do rapper paulista Parteum, nunca mais ela saiu aqui de dentro.
No filme Vingadores Ultimato, o Thor volta para o passado e revê sua mãe que já havia falecido. Isso me comoveu profundamente.
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Voltar ao passado, ver novamente minha mãe, minha avó, as duas juntas, vivas, sorrindo… Só cogitar essa possibilidade, essa imaginação. É aqui que começo a chorar.
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Talvez o luto seja isso também. Esperança.
Uma esperança de dignidade ao reencontrar nosso ente querido em qualquer lugar que for.
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Seu Antônio. Meu avô faleceu no ano de 1992. Eu nasci em 1992.
Dona Terezinha contava que cuidar de mim, recém-nascido, foi sua salvação para lidar com o luto de perder meu avô.
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“…após a partida, pessoas próximas e queridas possam fazer uma despedida em que a alegria da memória seja mais intensa do que a tristeza da ausência. Assim, ainda que a pessoa não esteja mais presente, a memória estará.”
Li esse trecho no livro O que é o luto, de Renato Noguera.
Leitura essencial nesse momento.
Há um silêncio na página quando escrevo essas palavras, como há dentro de olhares que nos atingem.
Vislumbro a imagem de minha mãe Dona Maria, e minha avó Dona Terezinha, juntas lá no céu. Essa imaginação me dá conforto e paz no fundo do peito.
Guardo uma foto delas, 2015, onde ambas estavam sorrindo, felizes, era Natal, e o presente foi a companhia.
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Noto em mim um medo desesperador de perder a memória da voz, a memória dos jeitos de falar de Dona Terezinha. A memória do cheiro de sua comida no almoço, do chá de marcela, a memória do toque de carinho no boa noite ao dormir. Um medo desesperador de nunca mais ouvir Deus te abençoe.
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Desde que Dona Terezinha faleceu, o vento e o cantar dos pássaros aqui da região anunciam sua partida.
Há um silêncio na página quando escrevo essas palavras, como há dentro de olhares que nos atingem.
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Pego a jóia da Alma e trago minha mãe de volta.
Era tudo que mais eu queria.

