
A Síndrome
Nenhum colírio da verdade parecia fazê-los enxergar.
Foto de Gabriela Biló (Folhapress/Reprodução).
Parecia que tinha se curado. Depois de tudo o que tinha acontecido. Ninguém percebeu o primeiro sinal. Aquela história de antenas causando chuva por aí. Mas acabou piorando.
De repente, surgiu um avatar com nariz de palhaço no Facebook. Algum tempo depois, uma curtida e um comentário numa postagem de político oportunista entoando um pedido infame para que o país “acordasse”.
Tinha se contaminado de novo. Era evidente. Seria o algoritmo? O apelo ao esporte? A influência do grupo naquele estado com discurso de superioridade mas com abrangência de esgoto que mal passava dos trinta por cento?
Talvez fosse um conjunto de fatores. Fake news aliadas à comodidade de não pertencer a (quase) nenhuma minoria. Mais a estabilidade financeira e uma certa falta de empatia social. Imaturidade política também, com certeza. E um vício nas telas.
Tratar com notícias reais não estava funcionando. Números e dados, tampouco. Nenhum colírio da verdade parecia fazê-los enxergar.
O único tratamento possível parecia ser o tempo. Em casos como este, nem um raio na cabeça funcionaria.

