
Na biblioteca do autor #1: Jacques Fux
Publicado originalmente em 2 de fevereiro de 2025.
Foto: Ana Branco / Agência O Globo.
Você já parou para se perguntar quais os livros favoritos do seu autor favorito? E quais livros o influenciou? Afinal, todo escritor é, em primeiro lugar, um leitor! Assim nasce a série “Na biblioteca do autor”, da revista O Odisseu. Nós faremos 7 perguntas sobre os livros que marcaram grandes escritores da literatura brasileira contemporânea a começar pelo maravilhoso Jacques Fux!
Fux é autor de diversos títulos, entre eles os premiados “Antiterapias” (Scriptum, 2012), que foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e “Nunca vou te perdoar por me obrigar a te esquecer” (Faria e Souza, 2023) que esteve finalista na categoria Romance Literário do prêmio Jabuti 2024.
Ao falar dos livros que marcaram sua trajetória como leitor e escritor, Fux nos apresenta uma lista super variada com títulos maravilhosos que vão de Philip Roth a Wisława Szymborska. Além disso, ele também declara a sua paixão por João Guimarães Rosa, um autor que ele cita duas vezes na entrevista.
Na biblioteca de Jacques Fux!

Um livro que marcou sua trajetória como leitor
“Complexo de Portnoy”, do Phillip Roth. Eu me lembro que eu já gostava muito de ler, mas nunca imaginava que eu pudesse ser escritor. Era uma coisa muito longe e muito distante. E quando eu li o livro eu senti que conversava muito comigo. Primeiro que era uma questão judaica e segundo que tinha as loucuras e críticas à questão judaica e à beleza da literatura judaica. Inclusive, quando eu escrevo “Antiterapias”, meu livro que ganhou o Prêmio São Paulo, eu converso muito com ele. O meu personagem conversa sempre com o Portnoy.

Um clássico que você recomenda
“Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa. Um clássico para ser lido e relido. Eu já li oito vezes e ano passado eu realizei o meu sonho que era escrever sobre “Grande Sertão: Veredas”. Eu publiquei “As fábulas do fabuloso” que é uma biografia romantizada do Rosa e do Riobaldo. Então eu construo uma conversa entre os dois: o autor e sua obra ou o seu grande personagem. Esse livro ganhou o Selo da Fundação Nacional do livro infantil e juvenil e é um livro com um texto para jovens e adultos e dá uma boa entrada no “Grande Sertão: Veredas”.

Seu livro de cabeceira (que você sempre revisita)
“O Aleph” e “Ficções”, de Jorge Luis Borges. Quando eu li Borges pela primeira vez aos quinze anos, aquilo me incomodou e me desnorteou como eu ainda não havia sido desnorteado. Agora eu estou dando um curso sobre Borges e estou relendo o “Ficções” e “O Aleph”, que são livros importantíssimos. Acho que toda vez que você revisita Borges você aprende mais porque ele trabalha com esse conceito: você descobrindo à posteriori os livros que vieram antes, como em um texto chamado “Kafka e seus precursores”.

Um livro lançado recentemente que você adorou ler
“A vida pela frente”. É um livro que eu gostaria de ter escrito, mas não escrevi. Um livro incrivelmente maravilhoso, irônico, sarcástico, crítico, divertido, profundo. Você ri e chora. Trata de questões muito interessantes, como o sonho da convivência entre judeus e árabes. Recomendo muito esse livro.

Um livro de poesia que você ama
Wisława Szymborska. Todos os livros dela são maravilhosos. É incrível o que ela consegue fazer com as palavras e passar sensações e sentimentos de uma forma muito bonita e breve. Foram poucos poemas que ela escreveu em vida e poucos poemas que foram publicados, mas todos maravilhosos.

Um livro que te fez chorar
“Grande Sertão Veredas” e “É isto um homem?”. Eu fico sempre comovido e sempre choro com “Grande Sertão: Veredas”. Um livro super importante, sobretudo agora (É isto um homem).

Um livro que influenciou sua forma de escrever
“Felicidade demais”. As novelas, como a que ela conta a história de uma matemática, me influenciou a ir por esse lado de escrever novelas que se conversam e formam um romance. A partir daí eu escrevi “Meshugá: um romance sobre a loucura”.
“Relatório para a academia”. Um discurso super crítico à Academia e esse texto despertou a vontade de escrever o livro “Nobel”. Nesse caso, o meu discurso ganhando o prêmio Nobel, mas também um discurso super crítico.