Flipelô

Flores que pesam como chumbo em água límpida

Claudia Roquette-Pinto conta sobre a sua trajetória poética em bate-papo com Vinícius Cardona no primeiro dia da Casa Odisseu na Flipelô. 

Postado originalmente em 11 de agosto de 2025

Foto de Capa de Ewerton Cardoso

Uma estreia com pé direito e poesia. Apesar do clichê, a afirmação define o que foi o primeiro dia da Casa Odisseu na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). A mesa de abertura foi uma entrevista pública com a poeta Claudia Roquette-Pinto, que esteve recentemente na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) para falar do lançamento da antologia poética A Extração dos Dias, publicada pela Círculo de Poemas. O livro reúne os cinco primeiros livros da poeta e quebra um hiato de mais de dez anos desde o último lançamento de Claudia Roquette Pinto.

Com uma simpatia acolhedora, a poeta contou a Vinícius Cardona, colunista da Odisseu e entrevistador, como precisou lidar com os muitos preconceitos em um contexto social e literário que via a poesia produzida por mulheres com o olhar enviesado de estereótipos e corrompido pela ideia de que o tema de sua poesia só pode ser o sentimento, as flores e as delicadezas. Apesar das muitas flores que cercam a produção poética de Cláudia Roquette-Pinto, ela deixa claro o seu desejo de que as palavras tragam impacto ao leitor, que não sairá desse caminho sem algum incômodo. 

Ela ainda falou sobre as muitas influências que teve e sobre como aflorou bem cedo para a poesia, embora, segundo palavras dela, “tenha demorado a sair do armário” e se enxergar como uma poeta ou mesmo para entender que as suas notas não eram apenas palavras lançadas no papel, mas representavam o nascedouro de um estilo único, potente e arrebatador que a torna uma das mais importantes poetas da sua geração. 

“Ser poeta é um lugar que você conquista” 

Sem meios termos, a poeta trouxe certo ânimo para quem deseja seguir o árduo caminho da palavra que, para ela, é incontornável. 

“Não consigo não escrever”

“A vida fica um pouco embaçada quando não estou escrevendo” 

Claudia finalizou a entrevista com a leitura de dois textos presentes na antologia A Extração dos Dias (2025) e contou que tem uma série de poemas inéditos e um romance, que ela pretende lançar em algum momento. 

A autora ainda participou de duas mesas na Flipelô e espalhou poesia por todos os cantos com  a certeza de que “custa o tempo de um tropeço lapidar uma palavra” (Litografia, p. 29) e custou um instante para sermos seduzidos pelo seu verbo.