Carta só para Mabel Velloso
Publicado originalmente em 18 de agosto de 2025.
Dona Mabel,
que esta carta te encontre bem, já que o bem mora dentro de seu nome. Mais de um ano inteiro me separa do último abraço que te dei, na saída da exposição organizada por Noca sobre Carolina.
Que presente foi visitar a vida de uma poeta ao lado de outra. A senhora toda de branco, porque sexta-feira. Assim nos ensina a canção-mantra de Adriana. O olhar sempre atento e aprendiz, feito os olhos dos verdadeiros mestres. E a generosidade de acolher não só os cumprimentos de um outro jovem poeta ali presente, mas também a minha inusitada companhia.
Neste junho, uma vez mais, rezei a trezena de Antônio com o pensamento voltado a ti, que me introduziu ao hábito. Saber que nossas orações se unem a um mesmo intercessor me conforta e encoraja.
Ao santo casamenteiro, a audácia do pedido: o matrimônio da justiça social com os cargos políticos, a união estável entre os povos e a paz, as bodas da poesia com os alimentos essenciais. Porque já nos propôs Waly – toda cesta básica deveria conter um livro. Isso é que é consciência de nutrição. E de salvação.
A senhora bem sabe o quanto é impossível afetar muita gente com essa nossa pretensão. Mas espero que sua maternal fraternidade consiga conservar, entre os próximos, os pingos nos is: o ritmo nos gestos de Digão, o humor nas falas de Bob, a meninice no jeito de Emanuel, a magia na voz de Maria e a graça no riso de Irene. Por aí, outros tantos se convertem e se contagiam.
Espero também que Breno não esteja mais tão triste. Prometo voltar logo, para experimentar novas empadas. Minhas saudades da Bahia seguem nos beijos para Ju, Belô e Lala. Para a senhora, os desejos de saúde vão braços dados à gratidão pela existência de amor e luz.
Márcio
Sertão da Farinha Podre, 10-VII-2025
