
Carta só para Aloísio Romanelli
Seu mineiro modus operandi aos poucos se chega, puxa a cadeira sem fazer barulho e em voz comedida remexe as gavetas da memória enquanto observa e absorve o mundo por trás dos óculos e do bigode.
Foto: Acervo Pessoal.
Aloísio,
se os relances são a marca mais perene da efemeridade, convidando-nos sempre à atenção aos pequenos milagres do cotidiano, sua estreia em livro vem para reafirmar essa constatação.
Seu mineiro modus operandi aos poucos se chega, puxa a cadeira sem fazer barulho e em voz comedida remexe as gavetas da memória enquanto observa e absorve o mundo por trás dos óculos e do bigode.
E ainda no diálogo com o poeta de Itabira, você também nos oferece um lugar à mesa, nesse estado em que todos os sentidos são de talho e profundeza, guardando no fundo sempre o menino.
O exercício crítico de contemplação que a migração montanha-mar-montanha nos propõe é valioso e necessário. Copiando a imobilidade dos morros, há a estagnação das desigualdades e dos preconceitos.
E mesmo que você tenha sido plateia da brisa marítima em seu samba-canção ou por ela tenha sido ninado na rede, o ímã guardado nas veias de novo te puxa à terra dos metais. Sina que ensina.
Obrigado pela delicadeza de definir a padaria como o lugar em que todas as horas são manhã. Obrigado pela destreza de perceber que no elevador é que as pessoas sabem todas o pequeno espaço que ocupam. Obrigado pela troca e pelo carinho. Te abraça nos mesmos estados, de alma e geografia, o amigo,
Márcio
Sertão da Farinha Podre, 08-X-2025.
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