Ensaio

Amizade versus Literatura

Em verdade vos digo: há menos fogo nas matas reduzindo o vivo a meras cinzas que amigos nas redes promovendo a escritor meros autores.

Por Diogo Santiago.

Foto: Em cima (esquerda à direita): Jacques Lacan, Cecile Eluard, Pierre Reverdy, Louis Leiris, Pablo Picasso, Fanie de Campan, Valentine Hugo, Simone de Beauvoir, Brassai Em baixo: Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Michel Leiris, Jean Abier (foto: Gilberte Brassai).


A abolição em 1971 da conversibilidade do dólar em ouro inaugura o câmbio flutuante – que acelera exponencialmente o naufrágio da dignidade, da arte, e da gente. Armados até os dentes para combater quaisquer jurisprudências contrariantes, o Capital Financeiro e a sua primeira dama Bolsa de Valores afundam na agonia as condições de vida na Terra. Pouco importa que alguns inofensivos de carteirinha insistam em chamar de Antropoceno esse suntuoso Capitaloceno; o certo é que, de Ferrari ou Lamborghini, de pick-up ou ceifadeira, os patrões das multinacionais estão descendo em ponto morto a ladeira da extinção. Com a calvície ao vento e a neve nas narinas, eles incendeiam cada ano mais florestas, metralham cada mês mais etnias, caceteiam cada dia mais minorias; e andam bilionários demais para falir.

Nesse carrossel da especulação a partir de tudo, nem precisa de cavalinho para que se garanta o lucro. O carimbo da fama atesta que sempre haverá cavalinhos em caso de urgência. Aliás, o que mais prolifera desde a anulação do padrão-ouro pelos Estados Unidos é call center prometendo cavalinhos – sendo que mais da metade deles ninguém viu, vê ou verá. O trabalho, o talento, e até a natureza são definitivamente assujeitados ao carimbo; o potencial de barganha determina mais que nunca o valor de qualquer coisa.

Para um literato, por exemplo, mais vale a amizade com alguns carimbos que o talento.

Apresento meu amigo. De onde ele veio? Tô dizendo que é meu amigo. O que é que ele faz? Escreve poemas e estorinhas. Que da hora! manda que a gente faz uma publi.

Em verdade vos digo: há menos fogo nas matas reduzindo o vivo a meras cinzas que amigos nas redes promovendo a escritor meros autores.

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A partir de uma corrente de pensamento nascida na França nos anos sessenta, as universidades estadunidenses engatam, nos anos setenta, a mania que ficou conhecida pelo nome de French Theory. Uma paixão que arrebentou a boca do balão e espalhou tanto hélio que até hoje o mundo fala esquisito. Como em diversos países vivendo às custas dos Estados Unidos, no Brasil os campos universitário e editorial passam então a vender essa corrente de segunda mão. Não que Baudrillard, Cixous, Lyotard, Kristeva, Rancière, Lacan, Derrida, Guattari e, principalmente, Foucault e Deleuze tivessem precisado das faculdades de letras do Tio Sam para lançar moda francesa no Varonil da Junta. Mas foi o que ocorreu.

Ora vamos; sejamos honestos. O denso grupo que está a par dessas diplomacias cabe em uma fralda. Mas a fralda está limpa e bem branquinha; e nela, todo fiapo sabe que, desde a ditadura militar, nas conversas brasileiras sobre política, arte e filosofia em que se convoca a França, Foucault e Deleuze fazem mais sucesso que Miterrand e Chirac, e até que Bardot e Belmondo.

Curiosamente, é nessa novela diplomático-cultural que, de terceira mão, surge um bigodudo alemão, vulgo Nietzsche.

Que ladrem os cães de guarda de plantão para retorquir que não foi bem assim. Pouco importa: mediante tanta indiferença, até mentiras serviriam, desde que não fossem pela metade. Ou seja, os estudiosos das faculdades de filosofia e sobretudo de letras dos Estados Unidos – ligados de uma maneira ou de outra ao surgimento dos Ethnic studies – adoraram Foucault e Deleuze. Por conseguinte, os estudiosos das faculdades de filosofia, ciências humanas e letras do Brasil adoraram Foucault e Deleuze. E como Foucault e Deleuze gostavam muito da obra de Nietzsche, os estudiosos brasileiros que os adoravam ficaram bem excitados pela obra de Nietzsche – ou talvez pela sonoridade do seu nome, ou talvez pela densidade do seu bigode, ou talvez pela dificuldade em compreender sua obra por causa das más traduções. Vale salientar simplesmente que a moda foi mais imponente que o bigode, tão grande que teima em não se acabar. Embora haja germanismos mais recentes, vale usar a marca Nietzsche para fazer comercial de água sanitária, para analisar a rodada do futebol, para se confessar com o padre. Até em monografia nas cátedras tupiniquins se usa Nietzsche ainda hoje. É um deus (morto) nos acuda!

E aqueles que são fãs de Nietzsche porque Nietzsche soa viril sabem muito bem que ele tinha uma quedinha pela amizade. Sabem muito bem que ele até protestou, quase chorando, que na Alemanha ninguém sabia o que é ser amigo. Ora, como o assunto aqui é Literatura, seria uma afronta não recorrer ao que o nosso Herr Bigode rabiscou sobre o “amigo” em Assim falou Zaratustra, a mais literária das suas obras. “Para o solitário, o amigo é sempre um terceiro; o terceiro é a boia que impede que o diálogo de ambos afunde até o abismo. Arre! há sempre abismos demais para todos os solitários. Por isso eles têm tanta sede de um amigo, e da sua altitude.”1

Como diria o povo, ao redor do buraco, tudo é beira.

Para o amigo, relacionar-se com um outro seria portanto como escalar uma montanha após ter flertado com o precipício. Ein großes Abenteuer (uma grande aventura), eis a amizade para um helenista alemão do século dezenove, solitário e atormentado pela sífilis! A felpuda plateia masculina do Brasil atual vai ao delírio – nada de anormal que ela se arrepie tanto com esse estilo confissões de um adolescente (será que Friedrich tinha bebido uma cerveja a mais nesse dia?).

*

A respeito daquilo que a amizade pode fazer ao literato, Nietzsche, apesar do sucesso garantido pelo que foi dito acima, não arde nem matas nem tripas. Escreveu banalidades. Para dar tensão ao trivial, mais vale uma pluma literalmente literária. E como nem toda pluma literalmente literária glosa a amizade para contestá-la, não nos sobra muita escolha. Que nos perdoem portanto mais esta evocação de Proust.

Marcek Proust. Reprodução.

[A amizade] é tão pouca coisa que peno a compreender que homens de algum gênio, e por exemplo um Nietzsche, tenham tido a inocência de lhe atribuir um certo valor intelectual e, em consequência, de se recusar a amizades às quais a estima intelectual não estivesse ligada. Sim, sempre me foi espantoso ver que um homem que trazia a sinceridade consigo até o ponto de se separar, por escrúpulo de consciência, da música de Wagner, tenha imaginado que a verdade pode realizar-se nesse modo de expressão confuso e inadequado por natureza que são, em geral […], as amizades, e que possa haver uma significação qualquer no fato de se sair do trabalho para ir ver um amigo e chorar com ele descobrindo a falsa notícia do incêndio do Louvre.2

De cara, vale a dimensão cômica da análise. Afinal, estamos cansados e entediados de tanta gravidade para falar da amizade, esse reduto de ensimesmados.

Por outro lado, perguntar por que Nietzsche, “homem de algum gênio”, caiu nessa de dar valor intelectual a esse “modo de expressão confuso e inadequado” que é a amizade seria vão como perguntar por que ele chorou. No frigir dos ovos, se essa sua inocência sibilina na hora de falar de algo assim tão manjado não atrapalhou a precisão das lancinantes críticas que ele fez ao pensamento ocidental, que lhe seja acordado o direito à banalidade. Diga-se de passagem que não é responsabilidade sua essa incapacidade de enxergar na amizade um distanciamento da “verdade”, uma perda de tempo. Em seu nome, aliás, agradeço a Proust pelas precisões. Vale inclusive notar que é enquanto “modo de expressão” que a amizade é, para a tal personagem de Em busca do tempo perdido, algo “confuso e inadequado” – e desprovido de “significação”.

Eu tinha conseguido, em Balbec, achar o prazer de brincar com moças menos funesto à vida espiritual, à qual pelo menos ele permanece estrangeiro, que a amizade, cujo esforço todo é de nos fazer sacrificar a única parte real e incomunicável (a não ser pelo meio da arte) de nós mesmos a um mim superficial, que não encontra, assim como o outro, alegria em si mesmo, mas encontra um enternecimento confuso em se sentir apoiado em escoras exteriores, hospitalizado em uma individualidade estrangeira, onde, feliz com a proteção que lhe dão, faz reluzir seu bem-estar em aprovação e se deslumbra com qualidades que chamaria de defeitos e buscaria corrigir em si mesmo.3

É portanto com a confusão que o narrador de Proust se preocupa quando fala de ausência de “significação” na amizade. Assim como no seu Tratado Teológico-Político Espinosa avança que a Filosofia não sacrifica a Religião ao paganismo, Marcel pretende que na sua Balbec as brincadeiras com as moças não sacrificaram a sua “única parte real e incomunicável […] a um mim superficial”.

Confuso é o mim-amigo, cuja superficialidade se resume na incapacidade de perseverar sozinho no seu próprio ser e, por conseguinte, na necessidade de uma escora para se realizar. O mim-amigo, em outros termos, é aquele que, não entendendo que a amizade não passa de uma brincadeira, usa-a, ou pensa poder usá-la, na criação, e na promoção de um criador. Difícil não pensar nos nossos noviços autores que, partindo do pressuposto falaciosamente ingênuo de que “publicar é um direito”, enviam a editoras de araque o garrancho das próprias tripas, inchadas de amizade. E após terem feito publicidade das tripas e desembolsado o restante da meta da pré-venda para financiamento da gráfica e da editora, deslumbram-se ainda mais quando, nas redes sociais, deparam-se com a pletora de comentários monossilábicos e borrifados de emojis com os quais suas encantadas amizades incham o post de lançamento.

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Aliás os contentores da amizade podem, sem ilusões e não sem remorsos, ser os melhores amigos do mundo, assim como um artista trazendo em si uma obra prima e que sente que seu dever seria de viver para trabalhar, apesar disso, para não parecer ou correr o risco de ser egoísta, dá a vida por uma causa inútil […].4

Divórcio de si mesmo para não parecer egoísta, eis em que consiste a amizade para um artista. Ora, quão musculoso deve ser o afeto para que retire da arte um criador e o leve a se consagrar a inutilidades? Parece mesmo que Proust quer compreender em que a profundidade da amizade afasta um sujeito da atividade de criação, e dela o afasta mais que qualquer conversa superficial, com moças ou não.

Podemos papear durante uma vida inteira sem fazer nada mais que repetir indefinidamente o vazio de um minuto, ao passo que a marcha do pensamento no trabalho solitário da criação artística se faz no sentido da profundidade, única direção que não nos seja fechada, na qual podemos progredir, a penas mais duras com certeza, para um resultado de verdade.5

Por um lado, a conversa, “modo de expressão da amizade, é uma divagação superficial, que nada nos dá a adquirir”6. Por outro, a linguagem da amizade é a da conversa mole.

Parafraseando Dimitri El Murr7, diríamos que o erotismo da amizade a opõe a qualquer busca por um resultado verdadeiro que passe somente pela arte, naturalmente solitária. Escora, conversa mole, tédio, tantos signos da hospitalização do indivíduo, cuja doença (sacrifício compulsivo da sua parte mais real e incomunicável ao superficial) é agir contra si mesmo – eis a amizade: bacia do tempo perdido do artista.

Na temporalidade da amizade, o tempo, em outros termos, é desperdiçado na tentativa de comunicar à escora o que só pode ser entendido pelo muro.

*

Como nunca é demais testar a afinação da sabedoria popular, vale mencionar: Amigo meu não tem defeito; inimigo, se não tiver eu boto. Nesse tom, é verdade, nada mais útil, prático e conveniente que um smartphone com Meta ilimitada.

Livre-comércio, cultura e camaradagem. A fralda está cheia.

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As sentenças liquidificadoras do tipo “compre o livro do meu amigo” podem até servir para reconfortar o amigo, para que continue encarnando sorridente a desastrosa confusão entre autor e artista – mas elas ao mesmo tempo o denunciam: da mesma maneira que não é porque um romance me apraz que eu vou querer amizade com o romancista, quem está preocupado com a arte não usa a amizade para comentar uma obra, muito menos para promovê-la.

Mas evolui por aí uma horda de gagos, editores de si mesmos, que passam mais da metade do tempo se laudando entre amigos. Fulano é foda, e eu o admiro porque ele consegue fazer o que eu não consigo, e alegorias do tipo. Tudo em circuito interno, como mencionei em outro papel. Sabem conversar que é uma beleza, mas na hora de analisar e criticar, ninguém entende mais nada. Porque nessas inocências amicais não há qualquer tipo de consistência, ou de transição. Para elas, não há necessidade de aprender a comentar um autor de referência, cuja obra lhes afeta a escrita. Cada um é a sua própria arte, e para que ela se satisfaça, bastam os editais de fomento à cultura e os elogios publicitários dos amigos mais chegados.

Com as mãos geralmente tremendo e suando de falsa humildade e falsa modéstia, não passam de arrogantes ensimesmados esses encantados que forjam a parte autodenominada “independente” do campo editorial brasileiro, cujo argumento de justificação da própria existência é não fazer parte dos grandes grupos. Pretendem inclusive encarnar o único meio de descoberta de novos talentos – ao passo que as grandes editoras só publicam medalhistas. O que esses pequenos herdeiros nunca dizem é que, quando por obra de Nossa Senhora do Patrocínio, as suas editoras independentes saem da autopublicação, é para publicar amizades. Espantoso que todo autor sorridente no Brasil seja antes de tudo o amigo de um editor, de um livreiro, de um jornalista. Para comprovar isso, bastaria uma simples pesquisa – que você não fará mas que eu, solitário, todos os dias faço, na esperança de contribuir para a falência dessa farsa que faz da Literatura brasileira um mero revezamento de amigos.

Não para arguir que a amizade nada tem nada a ver com a Literatura. Não que, necessariamente, em vez de ajudá-la, ela a prejudique. A colonização de uma pela outra, porém, prejudica a gente. Pelo menos desde Proust isso é um problema, mas a colônia de fraldas que se deslumbra com a ideia publicar livros em prol da amizade e em detrimento da Literatura se obstina a cagar e andar no mundo da lua.

Amizade e Literatura são como a cidade e a floresta, devem ficar cada uma no seu lugar.

Se fosse mesmo para o bem de todos e felicidade geral da nação, até convidaríamos esses iluminados independentes a parar de invadir a Literatura com seus tanques de amizade: mas sabemos que nenhuma invasão se para com convite.

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O recifense Diogo Santiago iniciou sua atividade de tradutor em 2012, com uma pesquisa sobre Guerra aos demolidores, panfleto de Victor Hugo. Nas ciências sociais e humanas, já traduziu nomes como Louisa Yousfi, Nicolas Framont, Françoise Vergès, Antonio Gramsci, e Frédéric Lordon. Na literatura, além de Hugo, traduziu, por exemplo, Flaubert, Maupassant, d’Aurevilly e Baudelaire.Como autor, ele publicou, entre Lyon e Marselha, Asinus Asinum Fricat (2018), pequena seleção bilíngue de textos satíricos. De lá para cá, quatro livros seus no Brasil: O Polvo (Romance, 2022); Figuranistas (Poesia, 2023); Cinco fatias de uma dor urbana (Contos, 2024) e Concatenação (Romance, 2025). Em 2026, publicará Rumores (Contos).

  1. Immer ist für den Einsiedler der Freund der Dritte: der Dritte ist der Kork, der verhindert, dass das Gespräch der Zweie in die Tiefe sinkt. Ach, es giebt zu viele Tiefen für alle Einsiedler. Darum sehnen sie sich so nach einem Freunde und nach seiner Höhe. Friedrich Nietzsche [1883-1885], Also sprach Zarathustra, Munique, C. H. Beck, 2015, p. 57. ↩︎
  2. [L’amitié] est si peu de chose que j’ai peine à comprendre que des hommes de quelque génie, et par exemple un Nietzsche, aient eu la naïveté de lui attribuer une certaine valeur intellectuelle et en conséquence de se refuser à des amitiés auxquelles l’estime intellectuelle n’eût pas été liée. Oui, cela m’a toujours été un étonnement de voir qu’un homme qui poussait la sincérité avec lui-même jusqu’à se détacher, par scrupule de conscience, de la musique de Wagner, se soit imaginé que la vérité peut se réaliser dans ce mode d’expression par nature confus et inadéquat que sont, en général […] des amitiés, et qu’il puisse y avoir une signification quelconque dans le fait de quitter son travail pour aller voir un ami et pleurer avec lui en apprenant la fausse nouvelle de l’incendie du Louvre. Marcel Proust [1920-1921], Le Côté de Guermantes, II, Paris, Gallimard, Bibliothèque de la Pléiade, 1988, t. II, p. 688-689. Todas as referências remetem a essa edição. ↩︎
  3. J’en étais arrivé, à Balbec, à trouver le plaisir de jouer avec des jeunes filles moins funeste à la vie spirituelle, à laquelle du moins il reste étranger, que l’amitié dont tout l’effort est de nous faire sacrifier la partie seule réelle et incommunicable (autrement que par le moyen de l’art) de nous-même, à un moi superficiel, qui ne trouve pas comme l’autre de joie en lui-même, mais trouve un attendrissement confus à se sentir soutenu sur des étais extérieurs, hospitalisé dans une individualité étrangère, où, heureux de la protection qu’on lui donne, il fait rayonner son bien-être en approbation et s’émerveille de qualités qu’il appellerait défauts et chercherait à corriger chez soi-même. Ibidem, p. 689. ↩︎
  4. D’ailleurs les contempteurs de l’amitié peuvent, sans illusions et non sans remords, être les meilleurs amis du monde, de même qu’un artiste portant en lui un chef-d’œuvre et qui sent que son devoir serait de vivre pour travailler, malgré cela, pour ne pas paraître ou risquer d’être égoïste, donne sa vie pour une cause inutile […]. Ibid. ↩︎
  5. Nous pouvons causer pendant toute une vie sans rien dire que répéter indéfiniment le vide d’une minute, tandis que la marche de la pensée dans le travail solitaire de la création artistique se fait dans le sens de la profondeur, la seule direction qui ne nous soit pas fermée, où nous puissions progresser, avec plus de peine il est vrai, pour un résultat de vérité. À l’ombre des jeunes filles en Fleur, II, p. 260. ↩︎
  6. Le mode d’expression de l’amitié est une divagation superficielle, qui ne nous donne rien à acquérir. Ibidem. ↩︎
  7. Dimitri El Murr (1976-), filósofo, autor da tese intitulada Contrainte et cohésion: la notion de lien dans les Dialogues de Platon (“Coerção e coesão: a noção de vínculo nos Diálogos de Platão”), defendida em 2005 na Université Paris-I. Fazemos alusão à obra L’amitié, textos escolhidos e apresentados por Dimitri El Murr, Paris, GF Flammarion, 2018, 255 p. ↩︎