Lista

Livros que você precisa ler em 2026

Colunistas da revista O Odisseu indicam leituras que consideram necessárias para este tempo e que você precisa ler em 2026.


Já começou a fazer a sua lista de leituras para o ano de 2026? Uma das melhores formas de ler mais é programar as suas leituras. O ideal é escolher livros que tenham a ver com os seus interesses. Pensando nisso, os colunistas da revista O Odisseu se juntaram para elaborar uma lista com indicações de livros que consideram importantes. É uma lista plural como a nossa equipe de colaboradores, então, independente do seu gosto, é muito provável que você encontre algumas indicações que consigam falar com você.

Colunistas da revista O Odisseu indicam livros que você precisa ler em 2026

Aline Félix indica “Cantoras”, de Caro de Robertis
(Editora Dublinense, 2024, tradução de Natália Borges Polesso)

Entrelaçando dor e ternura, Cantoras de Caro de Robertis, é uma delicada dose de esperança e amor, sem silenciar as feridas abertas por uma ditadura. Ao contrário, transforma a memória em resistência e que recordar é também um ato de cuidado — para que a violência do passado nunca mais encontre espaço para se repetir.

Antonio Arruda indica “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa
(Companhia das Letras, 2019 – publicado originalmente em 1956).

Aproveito e efeméride (agora em 2026, 70 anos desde o lançamento) para recomendar aos que ainda não leram “Grande Sertão: Veredas” que tirem um tempo para mergulhar nessa obra-prima da literatura mundial. Certamente, foi o livro que mais li até hoje, algumas vezes para o meu mestrado, e outras duas livre dos compromissos acadêmicos. Não há nenhuma obra que se compare (mas sou suspeito!) em inventividade narrativa, trabalho com a linguagem, enredo, construção de personagens, cenários, imagens, metáforas. É romance de fôlego, com poeticidade que emerge a cada verbo-vereda.

Carol Antunes indica “Ensaios de despedida”, de Elisama Santos
(Editora Record, 2025)

O livro nos traz reflexões importantes sobre a necessidade de conexão entre as mulheres e a importância dessa troca para sobrevivermos a um mundo que teima em tentar nos destruir. É um mergulho sensível na vida de uma mulher que repensa a sua existência a partir de cartas que ela jamais envia, mas que tornam-se sua mensagem não apenas para sua filha, mas para todas as mulheres da sua vida!

Danichi Hausen Mizoguchi indica “De pé, tá pago”, de GauZ
(Ercolano, tradução de Diogo Cardoso, 2025)

É um livro que afirma a tradição oriunda da observação da fragmentação da experiência metropolitana, como feita, por exemplo, por Charles Baudelaire e Walter Benjamin. Essa tradição aparece perspectivada a partir da presença preta em Paris: fina lâmina do contemporâneo, sagacidade e ironia são as marcas literárias deste trabalho do escritor marfinense.

Danilo Moreira indica “Vamos comprar um poeta”, de Afonso Cruz
(Editora Dublinense, 2020)

Em tempos de IA e “algoritmização” da vida, o livro convida à reflexão do papel da arte dentro da sociedade. A história de uma menina que pede que o pai comprar um poeta é repleta de nuances e que nos fazem refletir, até mesmo, o quanto de poesia ainda somos capazes de observar na coisas simples da vida.

Douglas Sacramento indica “Massaranduba”, de Abáz
(Editora Senac, 2025)

Não é todo dia que um soteropolitano da CBX (Cidade Baixa) conquista um dos principais prêmios literários do país – o Prêmio Sesc de Literatura 2025. Ainda que a proximidade espacial já justificasse o destaque, Abáz, com Massaranduba (Senac, 2025), realiza um empreendimento literário por meio de contos que abordam demandas, cores e tons de Salvador e as vivências periféricas dessa cidade calorosa e plural.

Ewerton Ulysses Cardoso indica “diáspora não é lar”, de Nina Rizzi
(Editora Pallas, 2025)

Entre imagens incômodas, mas também emancipadoras, Nina Rizzi constrói um livro que organiza a sua raiva. O livro convoca imagens da infância atravessada pelo racismo (quando ainda não se sabia que era racismo) para colher dessas primeiras experiências pensamentos maduros que vão culminar em uma catárse poética.

Guilherme Boldrin indica “Nostalgia”, de Mircea Cărtărescu
(Editora Mundaréu, tradução de FernandoKlabin, 2018).

Quando terminei de ler “O Roletista”, história que serve de prólogo a essa espécie de romance construído com contos modulados, estava arrepiado e chocado. Era o começo de uma obsessão. Cărtărescu parece ter alguma qualidade sobrenatural para tocar o inaudito, e sua escrita prolifera na página como um sonho vivido. De repente, entramos numa toca de coelho em buracos de infância, saímos nos olhos de uma aranha espiando do teto uma transa confusa, brotamos transcendência do som das buzinas… É isso mesmo, não dá pra explicar. Meu livro favorito de 2025 é minha indicação para 2026.

Kaio M. Veloso indica “Sobrevivência dos vaga-lumes”, de Georges Didi-Huberman
(Editora UFMG, 2018).

Trata-se de uma reflexão profunda que conecta arte e vida, especialmente no que tange às imagens e seu potencial em manter luzes acesas em meio à escuridão. Creio que, para os tempos que vivemos e o futuro que se apresenta, repleto de autoritarismos a nível micro e macro, precisamos mais que nunca de vaga-lumes, estes seres em risco de extinção, literal e metaforicamente.

Lili Floresta indica “Querida Konbini”, de Sayaka Murata
(Estação Liberdade, tradução de Rita Khol, 2022)

Livro para lembrar que sempre estaremos perdendo experiências, mas não podemos permitir perder a nós mesmos

Lucas Litrento indica “Recitatif”, de Toni Morrison
(Companhia das Letras, tradução de Floresta)

Não tanto por ser um lançamento no Brasil, recomendo a leitura mais pelo seu caráter de singularidade (o único conto publicado pela Morrison) e pelo seu experimento como recurso narrativo radical. Nesse conto, a Morrison narra a história de duas amigas que se conhecem num orfanato, uma é negra e outra é branca, mas nunca conseguimos definir com precisão quem é quem, racialmente falando. Um grande exercício de alteridade e controle narrativo.

Márcio Ketner Sguassábia indica “Com o mar por meio: uma amizade em cartas”, de José Saramago e Jorge Amado
(Companhia das Letras, 2017)

Um convite afetuoso para aproximar os leitores dos romances de seus autores, partindo desse lugar íntimo e infinito que pode ser uma amizade.

Maurício Mendes indica “Histórias de Conópios e de Famas”, de Julio Cortázar

Todos falam de Bestiário e Todos os fogos o fogo. Ou mesmo O jogo da amarelinha. Mas é nesta pequena obra-prima que “O inigualável” condensa toda a sua genialidade.

Myriam Scotti indica “Olha-me e narra-me: filosofia da narração”, de Adriana Cavarero
(Bazar do Tempo, tradução de Milena Vargas, 2025).

Este livro me chamou a atenção por ter sido citado no livro de ensaios da autora italiana Elena Ferrante, cuja escrita e obra admiro profundamente. Nele, a filósofa italiana Adriana Cavarero reflete sobre como nossa identidade se constrói a partir das histórias que ouvimos e contamos, dando sentido às experiências e às memórias. Ao propor uma “filosofia da narração”, Cavarero apresenta a narrativa, ligada sobretudo às mulheres, como uma alternativa ao pensamento abstrato, tipicamente masculino.

Rodrigo Jorge Neves indica “O juiz de paz da roça”, de Martins Pena

Além da sua importância como precursor da dramaturgia brasileira, nessa obra ele expõe aspectos que estruturam até hoje a nossa sociedade, como as desigualdades de gênero, classe e raça em face dos desmandos do poder e da fragilidade das instituições. Por ser um texto para ser colocado em cena, a peça teatral resgata ainda a nossa relação entre a palavra, o corpo e o mundo, cada vez mais necessária em um tempo tão fugaz.